Archive | março 2012

8 OBSERVAÇÕES DE 2011 AINDA VÁLIDAS PARA 2012

Azealia Banks

De acordo com a revista NME a pessoa mais legal no mundo em 2011 (no universo da música) é Azealia Banks. Conhece? Eu vi o clipe de “212” e… bacana.

 

Dry the River – No Rest

É um quinteto folk / alt-country de Londres. Peter D’Artagnan Liddle (o sobrenome lembra alguma figura histórica?) foi o grande mentor desse projeto formado no início de 2009. São uma “mistura lindíssima” de folk, alt-country, gospel e indie-rock; fortemente influenciados por Paul Simon, Leonard Cohen e Suzanne Vegaand. Mais que promissores, eu diria.

 

Boy – Little Numbers

Você ainda não conhece o duo de meninas chamado BOY? É genial! A música é deliciosa e o projeto possui todos os elementos pop necessários para fazer um sucesso enorme, portanto não seja o último a dançar “Little Numbers”.

 

Slow Club – Two Cousins

É o clima que faz a canção, e por mais que o piano de Two Cousins seja melancólico, a canção ainda se faz marcante por propor um convite à dança lenta, entre amantes, parentes e até melhores amigos. Aproveite.

 

Tom Waits – Satisfied

Tom Waits é a prova viva que rock não se faz através de institutos de música ou faculdades de artes, que técnica se aprende errando e muitas vezes o erro é o prato principal. Não é preciso ter a melhor voz, os melhores instrumentos ou a execução perfeita… Rock é um sentimento que causa as mais genuínas atitudes, sem programação, regras, maquiagem ou passos ensaiados. Lamento pelos perfeitos instrumentistas, que secretamente vivem a fantasia do rock entre as paredes dos seus quartos, excelentes músicos escravos de regras querendo viver uma vida onde o espontâneo é a alma do negócio.

 

Karina Buhr – Cara Palavra

Karina Buhr é o segundo nome “inovador” que me vêem a mente quando eu penso em música nacional. Se você não sabe qual é o primeiro nome provavelmente não leu essa pretensiosa seleção por completo. Agora imagine a cena: mulher, pernambucana, acaba de lançar um novo álbum, o disponibilizou para download gratuito em seu site oficial. Imaginou uma tendência pretenciosa de mesmice? Mais um nome em um infinito universo de cantoras obcecadas pelas raízes nacionais, ritmos do sol, sambas clássicos? Nada! Surge Karina! Seu primeiro single é punk rock clássico, onde o grande mestre Edgard Scandurra e Catatau dividem a responsabilidade das guitarras enquanto ela faz uma poesia fonética de palavras que mais parecem confundir do que explicar… É punk! É rock! É novo! Salve Buhr!

 

Jennifer Lo-Fi – Troffea

Quando você pensa em inovação na música nacional, qual é o nome que você pensa? Eu não sei até onde é arriscado dizer que se trata de uma inovação, afinal, inovar é algo muito raro, mas posso afirmar que dois nomes me veem à mente quando eu penso em novidades. Músicas frescas, diferente do que tem sido exaustivamente repetido nos últimos anos. Jennifer Lo-Fi é o primeiro dos novos nomes. Recomendações máximas!

 

Boy & Bear – Blood To Gold

E chega o momento de indicar uma banda de indie folk. Sim, tem muita gente que não consegue mais ler a palavra folk, mas acredito que quando bem feito – como no caso de Boy & Bear, uma banda de Sydney, Austrália – a história pode ter um final feliz. Neste caso, ao gosto do cliente.

O MUNDO É UMA OSTRA

Ontem tive o privilégio de assistir uma performance exclusiva e acústica da banda Oyster Movement. Amigos de longa data, a banda acaba de lançar o excelente EP “Allow Me Inside”, uma prévia feroz do álbum que será lançado ainda este ano.

Para quem como eu já teve a chance de ouvir o trabalho da Oyster, a experiência harmônica do grupo surpreende. Com os incríveis riffs e efeitos alucinantes, os amantes de guitarra não serão decepcionados, e se depender do peso exercido por Marina Dias na bateria, e o seu confronto direto com linhas de baixo hipnóticas de Diego Aquino, o show está garantido.

Acesse e escute agora o EP a da banda e faça o download do single “Keep Away” acessando o site da banda.

SEDENTARISMO ZERO

Depois de alguns anos, não muito mais do que cinco ou muito menos do que três, eu resolvi voltar para a academia. O plano era simples, ou deveria ser.

Como o Brasil não existe durante o início do ano, até o bucólico desfile das escolas campeãs do carnaval, eu imaginei que optar por academia neste período é optar por um suicídio social e amoroso. É carnaval meu amor! Todos querem e devem se divertir, certo?  Sem dúvidas que sim.

Aproveitei meu carnaval. Como todos, desejei a melhor festa possível, e abusei do meu instinto sociável. Me aventurei por euforias emocionais e terminei a festa com o saldo positivo, sem remorsos ou arrependimentos. Mas tudo encontra o seu fim. O carnaval finalmente acabou, o Brasil voltou a ensaiar um novo começo de ano, e com ele eu imaginei que esse seria o momento perfeito para voltar para a academia. Ano novo, vida nova, corpo novo.

Me despedi dos meus vícios maléficos com um sorriso no rosto. Joguei no lixo o que me tentava e recusei convites que jamais perderia. Me esforcei. Fiz o devido aquecimento preparatório e visitei diferentes lugares. Estava pronto. Nada deve me desviar do foco, pensei. E em uma segunda-feira quente, beirando o insuportável, eu iniciei o meu novo treino na academia.

Na companhia de um amigo eu decidi iniciar o meu novo treino em grande estilo. Optei por um plano que não deveria e forcei o meu corpo ao máximo. Quase não sobrevivi ao fim. No dia seguinte acordei sem vida, sem perspectiva e com um enorme stress muscular. A dor é indescritível, a fraqueza é geral. Atividades simples se transformam em sessões de tortura chinesa, e logo no segundo dia eu decidi não sair de casa, ficar em repouso absoluto, em um coma silencioso.

A ansiedade é a principal causa de desgaste e decepção.

Mas não pense você que trata-se de um fracasso. Sem dúvida a ambição se sobressaiu sobre a razão, e o custo é caro. Mas o terceiro dia se aproxima e a adaptação aos novos tempos já está planejada. Em seis meses eu espero um resultado, mas descarto uma melhora digna aos anos de sedentarismo. Em um ano eu espero uma melhora ainda maior, mas irei respeitar os limites do meu corpo.

Tudo o que eu espero agora é equilíbrio e satisfação. Quem sabe assim, quando eu me tornar o homem que tenho como ideal, eu também seja capaz de encontrar a mulher que me será igualmente ideal. Talvez esse seja um dos grandes problemas com o amor. Quando não somos quem desejamos ser, e abrigamos pessoas igualmente iguais no peito, aceitando nunca desfrutar sinceramente dos ideais de equilíbrio e satisfação.

Não perca seu tempo. Seja quem você quer ser.