Archive | abril 2012

10 MÚSICAS PARA UMA QUARTA-FEIRA

Nós sabemos. Quarta-feira é um dia complicado. E sexta-feira ainda é um sonho. Por isso eventualmente escolhemos com carinho 10 músicas sensacionais para animar o seu dia, para incentivar a sua curiosidade e quem sabe apresentar uma canção que será a trilha perfeita para a sua quarta-feira. Portanto aproveite! Nós servimos bem, mas não servimos sempre.

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OS FRAGMENTOS DA VARIAÇÃO INCONSTANTE DE JACK WHITE – BLUNDERBUSS

 

Jack White possui um universo particular obscuro, onde produz obras de distinta particularidade. Proveniente desse universo, Jack já concedeu obras de absoluta importância para o tempo que vivemos, destacando-se sempre, indiferente à banda que o acompanha, seja o fabuloso White Stripes, o ambicioso Raconteurs ou o sombrio Dead Weather.

Antes de qualquer análise sobre Blunderbuss, a nova obra do universo particular de White, lembre-se que este trata-se apenas do primeiro álbum solo de Jack, pois uma amostra inicial de sua capacidade já fora lançada quatro anos atrás, quando “Another Way To Die”, fruto da parceria entre Jack e Alicia Keys, tornou-se a trilha sonora oficial de um dos filmes da série 007, James Bond.

Esse é um detalhe fundamental quanto à análise a ser elaborada agora, uma vez que quatro anos separam os lançamentos de “Another Way To Die” e Blunderbuss, e absolutamente não existe diferença ou surpresa alguma entre ambos. Essa percepção reforça apenas que Jack sempre soube o que desejou fazer, e nada durante esse período mudou a sua opinião musical quanto ao caminho que desejava seguir solo.

Em “Another Way To Die”, o riff setentista de guitarra derivado do espirito nostálgico de Jack mantinha-se imaculado, como já era conhecido no White Stripes, mas a importância dos arranjos de piano ganhava uma dimensão maior, assim como a projeção vocal, por conta do dueto realizado com Alicia Keys.

Blunderbuss é o resgate e a afirmação de Jack White quanto ao estilo que ele sempre desenvolveu e dominou. As guitarras ainda estão presentes, mas limitadas a espaços específicos, esse é o momento onde o blues abre espaço para o country e os arranjos de piano ganham dimensão ao ponto de se tornar a base de todo o trabalho solo.

A primeira metade de Blunderbuss é reservada aos melhores momentos do álbum. “Missing Pieces”, música de abertura de Blunderbuss, é um recorte de elementos que unem a base harmônica de canções que remetem a fase Raconteurs, e uma guitarra temporal que faz referência direta a “Dead Leaves And The Dirty Ground”, uma das obras primas do White Stripes.

“Sixteen Saltines” injeta velocidade e agressividade ao andamento do álbum, uma das melhores músicas presente em Blunderbuss, feita sob medida para os fãs de White Stripes não reclamarem. Se pudesse contar com os vocais de Alisson Mosshart, “Freedom At 21”, estaria sem dúvida presente em qualquer álbum do Dead Weather. E assim, com uma trinca de canções que revisam o seu passado, Jack White busca tentar não decepcionar nenhum de seus fãs, seja de qualquer fase de sua carreira.

“Love Interruption” explora uma temática blues sob uma base acústica country, Jack canta com vocais de apoio, sem dúvida uma das minhas músicas favoritas. “Blunderbuss” é linda, mas não é nada quem você já não tenha ouvido antes. Procure pelas canções que Jack trabalhou para o filme Cold Mountain e não se surpreenda.

Os erros de Jack estão em faixas como “Weep Themselves To Sleep”, “Trash Tongue Talker” e “I’m Shakin”, a pior canção de todo álbum. Um excesso de experimentalismo imprudente, com abuso de instrumentos de sofro e climas que remetem à um cabaré perdido no velho oeste americano. Músicas menores mediante as demais no álbum.

Por fim, “Take Me With You When You Go”, conclui de forma magistral, o trabalho que reforça a excelência musical nostálgica de Jack, seja pelo blues sujo, pelo country tradicional ou através de um andamento de jazz acelerado presente em “Take Me With You When You Go”, a melhor canção do álbum. Um experimento sônico que inicia-se voltado ao passado, mas cresce na medida certa a fim de transportar o ouvinte por décadas de boa música.

Blunderbuss como obra não é inovador, não é sequer um excelente álbum, mas resgata em partes o Jack White que adoramos. Hoje um artista tão multifacetado e adorado que seria injustiça demanda-lo presente em apenas uma variação de sua obra, sendo assim é bom tê-lo de volta, mesmo que em pequenos e ótimos fragmentos.

DIÁRIO DE UM JORNALISTA BÊBADO – UM FIASCO ESTRELADO POR JOHNNY DEPP

Johnny Depp pode ser um grande admirador da obra Hunter Thompson, um conjunto de percepções caóticas, tomada por delírio, excessos e surrealismo, ingredientes básicos daquele que é considerado o pai do jornalismo gonzo. Mas Thompson certamente não aprovaria os filmes feitos em sua homenagem ou utilizando de sua obra como base.

Thompson viveu uma história de eloquência verbal e ativismo anárquico durante toda a sua vida, vivenciando efetivamente muitas das matérias que se prestava a escrever, tornando-se assim um personagem de sua narrativa particular, até decidir se suicidar melancolicamente com um tiro mortal aos 68 anos.

Depp assume na adaptação da obra “Rum – Diário de um Jornalista Bêbado”, o papel do alter ego de Thompson, o jovem jornalista Paul Kemp, que aceita uma proposta de trabalho em um jornal de língua inglesa na inquietante Porto Rico, durante a década de 50.

Além de Depp, “Diário de um Jornalista Bêbado”, dirigido e roteirizado por Bruce Robinson, conta com a participação simpática de Michael Rispoli, no papel de um fotógrafo alcoólatra digno ao título de Sancho Pança tropical, presente no quixotismo de Depp. Fora a participação de Rispoli o longa muito promete e pouco cumpre.

Não que seja fácil, mas o roteiro pouco estruturado de Robinson evidencia apenas fatos específicos envolvendo os personagens, descuidando-se totalmente da dinâmica evolutiva da história como um todo. Logo o filme é transformado em fragmentos individuais, onde pouco importa seu peso em uma trama inexistente, diminuindo a importância de atores consagrados como Aaron Eckhart e Richard Jenkins, cujas participações são pálidas senão nulas. O humor é desconstruído por meio de situações tragicômicas dignas de pastelões juvenis, explodindo sempre em expressões daquele que já tido como um mito pelo seu exagero dramático, Depp.

Se Thompson já apresentava dificuldade em explicar a complexidade de sua obra fragmentada, anárquica e ficcional, resta aos fãs apenas a presença de Depp para se interessar pelo filme, cuja produção estava sob sua responsabilidade e o resultado final resume-se a um fiasco frente a sua história no cinema.

Sequer a beleza hipnótica de Amber Heard ou a inexplicável presença de Giovanni Ribisi, como um figurante de luxo sem qualquer importância, salvam aquela que deveria ser mais uma homenagem póstuma ao criador do New Journalism.

Mas justiça seja feita a Robinson e Depp. Primeiro por que a obra de Thompson é marcada pela falta de continuidade racional, portanto já era esperado um filme de difícil compreensão, mas não podemos negar que ambos se esforçaram para reproduzir uma efervescente Porto Rico, com tomadas de paisagens atordoantes e uma trilha sonora – a melhor coisa presente em todo projeto – espetacular. Sob a responsabilidade e curadoria de Christopher Young, a trilha sonora de “Diário de um Jornalista Bêbado” faz com que o ingresso para os delírios de Thompson/Depp sejam válidos.

Mas não se esqueça de que trata-se de mais um caso onde o trailer resume tudo o que de melhor o filme pode apresentar. Em apenas dois minutos.

OS 5 MELHORES SHOWS DO COACHELLA 2012 E 1 VERDADE

É impossível ficar imune ao Coachella. Seu line-up reúne cerca de 150 diferentes atrações em shows com a duração média de 40 minutos, com exceção dos grandes nomes, que no depender da vontade e disponibilidade dos artistas podem se apresentar por até 3 horas seguidas, durante o encerramento de uma das noites do festival.

Entre uma eclética e extensa lista de atrações, destacamos 5 apresentações pelas quais o ingresso é válido, e uma verdade absoluta, comprovada graças a realização do festival. Se você esteve presente vale rever alguns grandes momentos e, para todos os demais, aproveite a chance e divirta-se com os melhores shows!

E os melhores shows do Coachella 2012 são:

At the Drive-In

Omar Rodriguez-Lopez, uma das lideranças presentes no At the Drive-In, já é motivo suficiente para tornar o show do grupo de El Paso imperdível. Considerados por muitos um dos melhores guitarristas experimentais de sua geração, Omar impressiona pela postura calma e confiante ao vivo, ao mesmo tempo em que desafia a gravidade teórica musical desconstruindo harmonias com uma energia incessante.

Ao seu lado, Cedric Bixler-Zavala não se permite deixar descansar por um único segundo. Gritando histericamente os hinos de umas das principais bandas da década de 90, o At the Drive-In transforma-se em um terremoto quando domina o palco, representantes legítimos do punk post hardcore, cuja importância continua à influenciar muitos grupos e músicos nos dias atuais. Se ainda é preciso destacar algo, vale lembrar que a banda não se apresentava ao vivo por mais de uma década, portanto o “momento de retorno” valeu o ingresso.

Kasabian

Eu não entendo a falta de relacionamento dos ingleses do Kasabian com a mídia e parte do grande público. É fato que o grupo seja uma banda respeitada pela crítica, que sejam responsáveis por grandes e incríveis composições, mas até então não foram capazes de compor uma canção com peso suficiente para conquistar a simpatia global. Para entender a dimensão da maldição do Kasabian, a rapper inglesa Azealia Banks, uma estreante no cenário musical global, cuja participação no festival se resume a uma performance com menos de 30 minutos de duração, obteve mais cobertura e repercussão na mídia do que o grupo de rock inglês. Uma pena, pois conforme você pode conferir agora, a apresentação do Kasabian foi um evento isolado, explosivo, dançante e desafiador. Um dos melhores de todo festival.

Radiohead

O Radiohead é hipnótico do início ao fim. Seu palco é impecável e absoluto. Um incrível mosaico de luzes e projeções lisérgicas que resumem apenas uma parte do espetáculo climático e introspectivo, promovido por Thom Yorke e sua orquestra eletro-orgânica. Em uma apresentação especial, com duas horas de duração, é possível conferir performances espetaculares de “Karma Police”, “Bodysnatchers”, “Everything In Its Right Place”e “Paranoid Android”.

Noel Gallagher’s High Flying Birds

Noel Gallagher sempre foi maior que o seu irmão Liam, muito mais simpático e responsável pelos grandes sucessos de sua maior obra, o Oasis. Seu show resgata alguns dos melhores clássicos ao mesmo tempo em que conquista o público com o seu novo trabalho solo, executado de forma impecável ao lado de seus companheiros de banda, os High Flying Birds. Um show irresistível do início ao fim. Para os fãs de rock inglês, trata-se de um evento único.

Dr. Dre & Snopp Dogg

Você pode não gostar do estilo, mas definitivamente já ouviu Dr. Dre & Snopp Dogg. Se considerar a importância de ambos para a cultura musical norte-americana, é impossível não valorizar o show. Perfeito do início ao fim, com participações especiais de 50 Cent, Wiz Khalifa e Eminem, nomes que reforçam a importância da performance para o festival.

Antes de efetivamente acontecer, a apresentação já era tida como uma das melhores entre todas as 150 atrações, mas ninguém esperava pelo que estava sendo planejado. Ninguém em nenhum lugar no universo. Tupac Shakur, rapper, ícone global, assassinado em 1996, se fez presente. Por meio de uma técnica holográfica inovadora é possível conferir Dogg e Tupac ao vivo; cantando, interagindo e dançando junto à multidão quase infinita de fieis desacreditados.

O show é obrigatório para os fãs de boa música, e a apresentação holográfica de Tupac deve ser o início de um ressurgimento de ícones falecidos impressionantes, ao mesmo tempo que magníficos e assustadores. Se esse é o amanhã, em qual show holográfico você gostaria de estar presente em um futuro próximo?

E agora o momento da verdade.

Teve quem acreditasse que contrariando todas as previsões, a dupla Black Keys, seria capaz de representar bem o papel de uma das atrações principais do festival, mesmo ainda restrita a um público especifico e pequeno. Se considerar o peso das demais atrações principais, a dupla simplesmente desaparece. A previsão, a qual nunca desacreditei, efetivamente aconteceu. A crítica não perdoou o que considerou uma performance fria, pequena e intimidada frente à multidão presente.

O Black Keys é simpático, possui realmente um grupo de canções interessantes, mas é um erro a sua escalação como atração principal de festival do porte do Coachella. Para eles, infelizmente ainda não é possível manter o publico de um festival inteiro interessado, sem sequer possui um hit de alcance global. O Black Keys fez o seu melhor, mas deve pagar no futuro o preço de não estar à altura do que se espera de uma atração principal, a catarse coletiva. É o clássico caso de estar presente no lugar errado, na hora errada.

POST-IT ART


Durante o dia eu me surpreendo tentando desenvolver um estilo, uma ideia, algo que seja realmente considerável e original. Não é fácil. O ambiente do escritório sufoca a criatividade. Não existe material. Não existe cor. Não existe quase nada além das regras da organização. Mas a arte sempre encontra uma forma de se manifestar, mesmo que através de pequenos e descartáveis post-its. Não importa onde eu estiver, a arte me faz companhia.

QUANDO VENDI O MEU INGRESSO, EU APENAS DESEJEI A FELICIDADE

Quando foi anunciado, quase um ano atrás (posso estar errado, mas essa é a minha impressão), o festival Lollapalooza automaticamente se tornou um evento imperdível. Não tratava-se apenas da presença do Foo Fighters como uma das atrações principais, mas também da importância histórica do festival dentro do universo do rock alternativo, tornando-se um marco para os amantes de música no mundo todo. Da mesma forma que durante décadas muitas bandas sonhavam em ser a capa da revista Rolling Stone, os fãs de rock alternativo sonhavam em estar presentes no festival Lollapalooza.

Hoje vivemos outros tempos. As bandas não mais desejam estar na capa da Rolling Stone, assim como o festival alternativo se globalizou, adotando filosofias capitalistas, transformando o seu místico nome em um produto rentável ao redor do mundo. Mesmo assim, ignorando os saudosistas, ninguém se importa. Música é entretenimento, é produto, é consumo. Como todos os demais festivais no mundo, salve uma parcela bacteriana, o Lolla se profissionalizou a fim de atender melhor o seu cliente e servir bem o seu eclético cardápio. Todos agradecem.

Agora eu preciso ignorar o que é história, e focar o objetivo desse artigo, o desapego. Quando anunciado a realização do festival, nós estávamos maravilhados. Eu e a minha namorada (agora ex). A realização do festival no Brasil e a confirmação da participação do Foo Fighters era absurdamente incrível. Eu observava em silêncio seus olhos brilhando de emoção, eu sabia do seu amor pela banda e imaginava que nós dois seríamos ainda mais felizes se presentes em um evento como esse. Isso não acontece sempre na vida de um casal, normalmente condicionada a uma rotina repetitiva, por isso nós comemoramos excessivamente.

Desde o anuncio, apenas a possibilidade de não conseguir ingressos nos atormentava. Eu sei o quanto sofremos quando lutamos por ingressos para o U2 e posteriormente a tristeza que sentimos quando perdemos o Strokes. Era cruel. Não importa o preço, os fanáticos são invencíveis e as entradas evaporam. Mas isso era apenas o primeiro de uma série de desafios para estar presente. Viver o momento. Ser feliz. Lutamos. E quando já não havia muita esperança, conseguimos. Desde que a compra dos ingressos foi confirmada, bastava apenas esperar o grande dia do evento. Hoje.

Mas entre a compra dos ingressos e a realização do evento, tudo deu errado.

Não existe razão para explicar o fim do nosso relacionamento. Seria impossível no meu entendimento se propor tal ousadia, isso sem considerar a falta de respeito e a exposição excessiva da nossa intimidade. Mas acredite, tudo deu errado.

O relacionamento pode ter acabado, mas o amor não – Essa é uma regra que eu sempre irei acreditar, e é algo que fez toda a diferença nas minhas decisões.

Nas últimas semanas, depois de meses de espera, o Lollapalooza estava próximo de acontecer. Para ser sincero, dentro de algumas horas o show do Foo Fighters irá acontecer, e pelos melhores sentimentos do mundo, eu não vou estar lá. Nas últimas semanas eu observei o meu ingresso e me perguntava o sentido de estar presente. Desde o início a proposta era outra, algo que se perdeu. Logo não havia mais sentido em dar continuidade a uma falsa sensação de felicidade.

Quem me conhece protestou. Era inadmissível para mim, um verdadeiro amante da música, do espetáculo e do movimento, estar abdicando da minha presença no festival. Um erro pelo qual eu iria me arrepender profundamente depois, alertaram. Mas eles não entenderam, e talvez nunca entendam, mas provavelmente era o mais honesto a ser feito.

Quando tudo isso começou, eu imaginei esse acontecimento de uma forma diferente. Eu imaginei aquele par de olhos castanhos brilhando na minha direção, dançando ao meu lado e me beijando após cada refrão açucarado da sua banda favorita. E isso não mais irá acontecer.

A vida acontece. Não estamos mais juntos, por que assim é o que deve ser. O ingresso se transformou na herança de um relacionamento fracassado, hoje mergulhado em tristeza e na mágoa. Os motivos e a culpa pelo fim cabem a nós, e as decisões do agora são tomadas de forma individual, sem qualquer sinal de consideração mútua. Normal, como em qualquer outro relacionamento que tenha se afogado no fim. Devo me lamentar? Não, obviamente, mas preciso aceitar a frieza da realidade. Eu observei o meu ingresso durante os últimos 15 dias e me perguntei se eu realmente desejava estar presente. Muitas vezes sem resposta.

Não tenho dúvidas do quanto será divertido. Incrível. Único. Não tenho dúvidas quanto aos amigos que se fariam presentes ao meu lado, sem me deixar por um segundo sozinho. Mas eu não posso responder por ela.

Eu sei que mesmo presente em uma multidão alegre, nós podemos insistir em continuar tristes. E isso eu não quero para mim ou para ela. Eu sei que não existe dor maior no mundo, do que a contemplação da nossa nova individualidade com os próprios olhos. E já estou satisfeito com a minha parcela de dor, obrigado. Eu sei que para ela o momento é muito mais importante do que seria para mim, então tudo ficou claro, eu não devo estar presente.

Quando vendi o meu ingresso, eu apenas desejei a felicidade. Ao fã maravilhado por conseguir a sua entrada no último minuto, à ela que irá poder dançar, olhar e quem sabe até beijar sem se preocupar em cruzar comigo, o passado, e a mim, que reuni aqueles que já não estariam presentes no festival, e decidiram que esse também é o momento ideal para uma grande festa, com a presença de todos que se amam e só desejam continuar sorrindo.

Eu me desapeguei de um momento que foi inicialmente planejado para ser feliz e infelizmente não irá acontecer. Eu me apeguei ao presente realista de quem precisa seguir e desejar no máximo a felicidade para todos nós.

E por isso eu espero que hoje, seja um dia incrível para todos nós. Com todo o amor que nunca irá me deixar.