Archive | maio 2012

O SOFRIMENTO INFINITO DE MILDRED PIERCE

Kate Winslet está absoluta na nova versão de Mildred Pierce, o depressivo romance escrito por James M. Cain. Conhecida através de uma produção de Hollywood na década de quarenta, com Joan Crawford no papel principal, Mildred Pierce ressurge em uma versão mais perturbadora e intensa, produzida por Toddy Haynes para a HBO.

Em sua nova versão, dividida em cinco capítulos, Haynes explora com maestria o infinito sofrimento de Mildred (Kate Winslet), uma dona de casa que frente às condições financeiras precárias da década de 30, precisa buscar alternativas de sobrevivência para uma família abalada por um recente divórcio, e o orgulho insensível de sua filha mais velha (na infância interpretada por Morgan Turner, e por Evan Rachel Wood na fase adulta).

Os anos desafiam a sobrevivência de Mildred em situações de constantes extremos, desde ao enriquecer e se apaixonar, até ser traída e abandonada pelo destino, que lhe pune com um severo luto cruel nos capítulos iniciais. A história de Mildred Pierce desafia a protagonista a se despir de qualquer orgulho próprio, para resistir as mais severas condições emocionais e financeiras imagináveis.

Kate Winslet brilha com louvor naquele que pode ser considerado o maior papel de sua carreira, em uma produção impecável, rica em detalhes, e cuidadosamente resgatada pela HBO. Imperdível.

DOMINGO APIMENTADO

E no último domingo (quase) foi possível acompanhar a décima sexta edição do Cultura Inglesa Festival, com a performance das bandas We Have Band, The Horrors e Franz Ferdinand, entre outros.

Para um bucólico domingo de sol, o Parque da Independência foi uma escolha certa para um evento deste porte, que por motivos de segurança compreensíveis teve sua capacidade limitada a 20 mil pessoas. Perfeito. Ao chegar por volta das 15 horas, acreditava que fosse o suficiente para acompanhar as apresentações das 17 horas, mas eu fiquei surpreso ao constatar que havia apenas uma única entrada no local, cuja severa revista promovida pela polícia militar providenciava uma ínfima liberação de fãs. Minha concepção foi imediata, em breve o controle seria perdido.

Enquanto a polícia militar trabalhava para manter uma mínima ordem de entrada, e promovia uma demorada revista individual, como sempre havia quem se aglomerasse próximo com o intuito de cortar a fila, promovendo a desordem e a falta de educação. Para quem acompanhava a movimentação nas ruas próximas, era impressionante o número de fãs presentes no Parque da Independência. 15 mil fãs já acompanhavam as apresentações do festival, enquanto algo próximo de 8 mil pessoas, de acordo com estimativas da mídia, aguardavam ansiosamente qualquer movimentação de uma fila estática, observando repetidamente o passar das horas com apreensão. A pressão aumentava a cada minuto para quem ainda não havia conseguido vencer a fila e a revista policial.

Na companhia de amigos eu consegui ouvir, mas não assistir a performance do grupo We Have Band. Para a minha surpresa a apresentação causou ótimas impressões, especialmente pra ouvintes sem intimidade com o trabalho do grupo, como eu. Minha maior expectativa era poder acompanhar a apresentação da banda The Horrors, mas pela óbvia constatação da situação, eu já sabia que seria algo impossível. Assim que o Horrors iniciou seu show com a incrível “Mirror’s Image”, eu transformei a calçada em uma pista de dança improvisada, e junto aos meus amigos fiz o possível para aproveitar “o show”. Sorte tem aqueles que bem acompanhados se divertem em qualquer lugar.

Era óbvio. Não havia chances de entrar no Parque da Independência, mas por insistência, desobediência e curiosidade, resolvemos abandonar a fila e descobrir o que acontecia na entrada do festival. Não era possível acreditar que em duas horas uma fila avançasse apenas 40 metros. A paciência tem limites que corrompem a boa educação.

Ao chegar à entrada do festival, o caos foi constatado. Não havia organização. Havia apenas uma luta corporal para tentar se aproximar da revista policial. Em segundos uma multidão se fez frente às frágeis barreiras policiais, desesperados por conta do tempo escasso e revoltados com a incompreensiva organização de entrada. Acuados, os policiais optaram pelo óbvio, e agrediram os fãs com uma nuvem de gás de pimenta, esperando assim dispersar uma multidão furiosa e crescente. O único portão disponível foi bloqueado e qualquer tentativa de negociação foi negada.

Enquanto novas unidades policiais ocupavam a rua, a notícia do conflito rapidamente se espalhou. Os estimados 8 mil fãs que aguardavam em fila se dispersaram. Alguns ainda se arriscavam ao invadir o Parque por meio de rotas alternativas, muitos sem sucesso.

Era surreal. Em um evento deste porte, é grosseiro imaginar uma única entrada com revista policial. Isso nunca acontece! Em jogos de futebol, com torcidas rivais muito mais numerosas, existem diversas entradas e saídas acessíveis e facilmente administradas pela polícia. Sem dúvida a organização do Cultura Inglesa Festival se revelou primária para administrar eventos desse porte, restando agora apenas a esperança de que ao menos o erro sirva como lição.

Dessa forma não foi possível acompanhar a apresentação do grupo Franz Ferdinand. Aproveitei as horas livres para apreciar um incrível jantar japonês em ótima companhia. Salvei o domingo. Na manhã seguinte recebi relatos de amigos que aguardaram insistentemente, e após a terceira música do grupo escocês conseguiram finalmente vencer os portões do parque. Para uma pequena minoria ainda foi possível conferir a segunda metade da apresentação da banda, mas nesse momento eu já não me preocupava mais com o “grande” evento do dia.

E acreditando que devemos transformar situações ruins em novas oportunidades, tratei de preparar dois sets especiais, dedicados as duas maiores atrações do Cultura Inglesa Festival.

Aperte o play e aumente o volume para desfrutar uma hora incrível com o melhor do hipnótico Horrors, e não deixe de conferir uma hora sempre animada na companhia do Franz Ferdinand.

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A ARTE DO UNIVERSO DC

Darkness & Light é o nome da exposição de arte promovida pela DC Comics, em Los Angeles. São dezenas de  obras inspiradas no universo de heróis e vilões da DC Comics, produzidas por artistas como Jim Lee, Martin Ontiveros, Mike Palermo, Nathan Sawaya, entre outros.

PARA COMEÇAR A SEXTA-FEIRA EM GRANDE ESTILO

Os ingleses do Doves são sem dúvida alguma, uma das inúmeras bandas que eu gostaria de conferir ao vivo no Brasil, mas infelizmente talvez isso nunca seja possível. O grupo inglês nunca excursionou pela América do Sul, e para a grande maioria, o Doves ainda é um nome totalmente desconhecido. Um absurdo.

A sonoridade do grupo se destaca por conta dos seus arranjos instrumentais acima da média, e da elegância empregada em suas letras, retratando o melancólico cotidiano urbano inglês. Confira agora as performances acústicas de “Andalucia” e “Kingdom of Rust”, duas incríveis canções do grupo inglês.

Atualmente os integrantes do Doves estão se dedicando a projetos paralelos, e a banda não possui qualquer previsão de retorno. Para a infelicidade dos fãs.

O ASSUSTADOR DOCUMENTÁRIO SOBRE O TSUNAMI

Produzido pelo Channel 4 britânico, o documentário “Tsunami Caugh on Camera”, é um aterrorizante registro da catástrofe natural que em 2004 vitimou mais de 280 mil pessoas, no Oceano Índico.

O documentário reúne registros em vídeo e áudio gerados pelos próprios sobreviventes, no momento da explosão do Tsunami e a luta desesperada pela sobrevivência.  As cenas reais chocam, e são intercaladas com entrevistas emocionantes dos sobreviventes da tragédia. Um relato honesto e definitivamente não recomendado para pessoas sensíveis.

E A MINHA TERÇA-FEIRA COMEÇA ASSIM…

 

Assustadoramente animada!

RED HOT CHILI PEPPERS – MESS_TAPE ESPECIAL 011

Hoje eu acordei cantando. Não me lembro exatamente qual era o sonho, mas a sensação ao despertar era boa. Muito boa por sinal. Acordar ouvindo Red Hot Chili Peppers pode fazer uma grande diferença no seu dia, e por conta disso, decidi elaborar uma seleção especial com a banda. São duas horas de duração com o melhor do grupo californiano. Aperte o play e aumente o volume, a qualidade é garantida!

Caso você não esteja visualizando o player, basta atualizar a página novamente.

10 NOVOS VÍDEOS PARA COMEÇAR BEM A SEMANA

“Major” é o primeiro single de Out of Frequency, o segundo trabalho da banda dinamarquesa The Asteroids Galaxy Tour. Definitivamente um dos bons momentos do novo álbum, com destaque para a vocalista Mette Lindberg, líder do sexteto dinamarquês.

O novo álbum do grupo Hot Chip, In Our Heads, tem lançamento previsto para junho, mas você já pode conferir o clipe de “Night & Day”, o primeiro single deste novo trabalho. O vídeo apresenta o premiado ator Terence Stamp em situações bizarras, envolvendo espaçonaves, monges dançarinos e um ovo gigante.

Cold Specks é o nome do projeto da cantora Al Spx, uma canadense de 24 anos que mora em Londres. Al divulgou o clipe de “Winter Solstice”, uma das canções que irão compor seu álbum de estréia, cujo lançamento é previsto para o segundo semestre deste ano. Uma promessa construída com acordes simples e bateria quase marcial, emoldurando a grandiosa voz da jovem canadense.

O duo australiano Flight Facilities convidou o músico britânico Grovesnor para assumir os vocais do single de “With You”, que além de ser lançado com uma versão estendida para vinil, conta com três remixes oficiais produzidos por: MAM, Danny Daze 5am e David August. O clipe inspirado em séries japonesas é uma atração à parte.

Fruto do ótimo álbum Metals, lançado no ano passado, Feist apresenta o vídeo clipe de “Cicadas and Gulls”, em uma versão ao vivo acompanhada pelos músicos do Mountain Man, sua banda de apoio. A presença de dois dançarinhos em slow motion coreografado, faz toda a diferença no clipe.

Kids of 88 é uma dupla neozelandesa que lançará em breve seu segundo álbum, Modern Love, ainda sem previsão de lançamento. “Tucan”, o primeiro single do novo álbum, dispensa as batidas dançantes predominantes na estreia e aposta em uma parceria vocal com Alisa Xayalith, do grupo The Naked and Famous.

“American Dream Part II” é o novo vídeo clipe do projeto Totally Enormous Extinct Dinosaurs, obra eletrônica de Orlando Higginbottom. O single estará presente em Trouble, álbum com previsão de lançamento para o segundo semestre deste ano.

Claire Boucher, reponsável pelo projeto Grimes, definiu a enigmática “Nightmusic” como o segundo single do álbum Visions, cujo vídeo carregado de elementos góticos você confere agora.

Benny Andersson, um dos membro-fundadores do lendário grupo ABBA, disponibilizou seu estúdio para a gravação do novo clipe do grupo The Hives, em uma performance ao vivo da energética “Go Right Ahead”.

O vocalista Paul Smith assume o papel de coadjuvante no novo clipe do Maximo Park, a dançante “Hips And Lips”, single cujo vídeo é estrelado por um obsessivo fã do grupo. Para entender será necessário assistir.

Coreografado 

GET THE GRINGO – A REDENÇÃO DE MEL GIBSON

Quem já teve a oportunidade de assistir aos clássicos: Mad Max, Máquina Mortífera, Coração Valente e O Troco, sabe que Mel Gibson é um cara legal. Claro que o público tende a ignorar o seu legado por não perdoar o seu maior pecado, quando ao ser preso em 2006 por dirigir alcoolizado, Gibson se indispôs com a comunidade judaica ao desferir ofensas contra os judeus. Um erro que quase lhe custou (ou custou) a sua carreira em Hollywood.

Desde o ocorrido, Gibson não conquistou qualquer papel significante no cinema. As ofertas desapareceram, os grandes estúdios lhe sentenciaram ao esquecimento, e a imagem do galã sarcástico de Hollywood, astro de filmes de ação, retrata apenas um passado glorioso, sem qualquer expectativa em relação ao futuro. Mas talvez o bom e velho Gibson esteja voltando.

Com o recém lançado Get The Gringo (Plano de Fuga – em português), Gibson espera recuperar o seu lugar ao sol em Hollywood. Não que um único filme seja capaz de restabelecer sua posição antiga, muito ainda é preciso ser feito para isso, mas a fórmula empregada em Get The Gringo reúne todos os elementos pelo qual sabemos que Mel Gibson é um cara legal.

Em seu novo filme, Gibson é um assaltante que em fuga cruza a fronteira americana com o México, iniciando uma série de conflitos entre bandidos de ambos os lados e alguns policiais corruptos. Os cenários desoladores e apocalípticos de Mad Max estão presentes na forma de uma prisão Mexicana, um universo paralelo peculiar, controlado por traficantes e assassinos. A saudosa ação presente em Máquina Mortífera é constante do início ao fim, com direito a perseguições policiais, tiroteios coreografados, sessões de tortura e explosões dignas do que os fãs esperam de um filme de ação. Um belo recomeço para Gibson.

A luta pela defesa de ideais e inocentes, presentes no clássico Coração Valente, transforma-se na redenção do personagem de Gibson, que em Get The Gringo luta para sobreviver e salvar mãe e filho do destino traçado por traficantes. O humor ácido está presente por meio de comentários sarcásticos e observações hilárias, dignas de quem deseja conquistar novamente a simpatia da sua audiência.

Get The Gringo é um filme de ação acima da média, um projeto que resgata tudo o que mais adoramos em Mel Gibson e esperamos encontrar em um filme do gênero. Sem qualquer exagero, este é o primeiro passo certo para Mel Gibson finalmente voltar a ser um cara legal.

ESPECIAL AC/DC – MESS_TAPE 010

Domingo. Frio. A cidade não se atreve a deixar o calor da própria cama por qualquer motivo. E como ninguém precisa de um bom motivo para ouvir AC/DC, selecionamos uma hora com o melhor da maior banda de rock australiana. Uma seleção especial para movimentar a sua semana, aquecer o seu dia e inspirar. Aperte play e aumente o volume. Rock on!

SIGUR RÓS NO BRASIL? – ESPECIAL MESS_TAPE 009

Para promover o lançamento de seu novo álbum, a banda islandesa Sigur Rós convocou seus fãs a postarem no Twitter uma foto que representasse seu momento Valtari, nome do novo álbum grupo. Segundo a explicação de Georg Holm, baixista da banda, Valtari significa “rolo compressor” em português. Durante a promoção a hastag #valtarihour foi acompanhada pela banda, agradecendo e comentando a participação dos fãs no mundo inteiro. Bastou uma única nota em seu Twitter oficial citando: “Brasil, Argentina e Uruguai”, para os fãs desavisados imaginarem que trata-se do esperado anúncio de shows no país, uma vez que a banda também anunciou inúmeras shows em festivais de verão. Um triste equívoco, por enquanto o Brasil, Argentina e o Uruguai continuam fora da rota dos islandeses.

Mas para celebrar o equívoco, que pode vir a se transformar em uma confirmação, selecionamos um set especial com as melhores canções do Sigur Rós, inclusive já contemplando seu novo álbum, Valtari, com a canção “Varúð”. Aperte o play e aumente o volume, o post rock dos islandeses está pronto para lhe fazer companhia.

VOCÊ ESTÁ PRONTO PARA A NOVA SÉRIE DE J.J. ABRAMS?

Revolution é a nova aposta da emissora NBC em parceria com o produtor e roteirista J.J. Abrams, o responsável pela ascensão e a queda do seriado Lost, graças ao seu decepcionante e inesquecível final. A premissa de Revolution é simples: O planeta sofre um blecaute misterioso irreversível, iniciando uma era onde sem energia elétrica a humanidade passa a viver como na idade média. 15 anos após o blecaute, em um cenário apocalíptico medieval, um homem carrega um misterioso objeto que pode solucionar o problema global.

No trailer divulgado pela NBC é possível listar os inconfundíveis elementos da produção de Abrams, como aviões mergulhando em cidades aterrorizadas (Lost?), cenários apocalípticos dominado por facções em conflito, objetos misteriosos que podem responder a grande questão da série (o que causou o blecaute?), e sociedades misteriosas que, mais uma vez, se comunicam por meio de computadores dignos da década de 80.

Estrelado por Billy Burke, Tracy Spiridakos, Zak Orth, David Lyons e Giancarlo Esposito, entre outros, Revolution deve estrear no segundo semestre desse ano.

Se depender do histórico e da credibilidade de Abrams, podemos aguardar uma série repleta de mistérios, ação, duelos filosóficos entre o bem e o mal e um final decepcionante. Será que estamos preparados para um novo Lost?

RAC E O RECICLÁVEL MUNDO NOVO

Você conhece o RAC? Trata-se de um trio (ou coletivo, como desejar) de produtores responsáveis por remixes e releituras contundentes, que muito tem agradado a classe artística e a mídia especializada. Idealizado pelo português André Allen Anjos, ao lado dos americanos Andrew Maury e Karl Kling, o RAC contabiliza mais 140 diferentes remixes para audição em seu site, colecionando elogios do público e convites para trabalhar com diversos artistas.

Selecionamos dez incríveis remixes do coletivo (ou trio, como desejar), contemplando artistas como Lana Del Rey, Yeah Yeah Yeahs, Foster The People, The Gossip, Bloc Party, Phantogram, Theophilus London ft. Sara Quin, Phoenix, Depeche Mode e uma produção especial de 1979, clássico (?) do Smashing Pumpkins na voz de Liz Anjos. Aproveite!

O FIM DE 30 ROCK E O HUMOR NORTE AMERICANO

Eu acompanho o trabalho realizado pela incansável Tina Fey desde os seus primeiros quadros no mítico Saturday Night Live (SNL). A mulher é espetacular. Roteirista, comediante, diretora e atriz, Fey é uma peça fundamental para o desenvolvimento e a manutenção do humor norte americano, seja para o bem ou para o mal.

Seu mais ambicioso e genial projeto, o seriado 30 Rock, produzido e transmitido pela rede americana NBC encerra sua atual sexta e penúltima temporada, de acordo com as declarações do presidente da emissora, Robert Greenblatt. A próxima e última temporada irá contar com um número menor de episódios e deve ser exibida apenas no próximo ano. Um triste, mas esperado fim.

A série possui um elenco regular que consiste em treze membros, entre os quais a própria Tina Fey, Tracy Morgan, Jane Krakowski, Jack McBrayer e Alec Baldwin, para citar alguns. Diversos atores, apresentadores, modelos, empresários, políticos e músicos já participaram da atração em aparições especiais hilárias, tornando o convite de ser parte de 30 Rock um privilégio.

30 Rock é, e provavelmente sempre será, um produto diferencial na história do humor norte americano. Premiada três vezes consecutivas com o Emmy de melhor comédia televisiva, em 2007, 2008 e 2009, a série retrata o dia a dia caótico de Liz Lemon (Tina Fey), produtora e roteirista de uma série cômica fictícia chamada The Girlie Show with Tracy Jordan. Muito do que pode ser acompanhado em 30 Rock tem como base os anos de roteirista e produção de Fey no SNL, tanto que, o nome da série é uma clara referência ao 30 Rockefeller Plaza, edifício onde o SNL é produzido.

O grande diferencial de Fey é entender a comédia como uma arte em constante desenvolvimento e transformação. Tina não se permite limitar-se à segurança de fórmulas de sucesso. Sua obra prima não atende a uma única regra do humor, abusando desde a escola clássica de Charles Chaplin, com quadros sem diálogos repletos de expressão e humor clássico, comédia pastelão agressiva, digna dos Os Três Patetas, diálogos depreciativos sarcásticos e explosivos como em Monty Python, e situações de exagero nonsense, escatológicas, equilibradas por uma crítica ácida atual.

Fey vê o humor em qualquer situação. Basta que um de seus inúmeros personagens se atreva a preparar um simples café, para que o momento de humor aconteça. A genialidade de recursos inseridos é espetacular. Em uma única tomada diversas técnicas são aplicadas, sem limitação de tema ou qualquer preservação de potenciais vítimas. Tina acredita que ninguém seja melhor do que um legítimo americano, para rir de um americano. Seu humor atinge personalidades que vão do Presidente aos patrocinadores do programa. Seu atrevimento sargaz desafia a diferença entre os hábitos, tradições, símbolos e raças, sem nunca perder o bom senso intelectual, que quando bem escrito não agride (ou pretende atingir) a audiência.

30 Rock irá fazer falta, mas com certeza podemos esperar por algo novo e genial no que depender de Tina Fey. Aos fãs resta apreciar a espetacular atual e penúltima temporada, qual coincidentemente (?) exagera na ridicularização do potencial futuro da própria emissora, e aguardar por um final ainda mais espetacular, onde provavelmente a maior vítima de seu admirável humor seremos nós, os fãs.