Archive | junho 2012

PARA COMPENSAR O ATRASO – MESS_TAPE 019

Perdoem o atraso e a falta de atualizações. Muito tem acontecido nos últimos dias, e eu juro que estou trabalhando para tudo voltar ao seu ritmo normal. Basta um pouco de fé e paciência.

Enquanto trabalhamos para que as atividades retomem seu ritmo usual, confira a nossa incrível nova edição de MESS_TAPE, apresentando uma sensacional seleção de canções em constante vibração com o passado e presente.

Você irá desfrutar de uma hora imperdível com o hip-hop dançante do grupo japonês Rip Slyme, o intimista pop melancólico do grupo Metronomy, a poderosa e inesquecível voz de Nina Simone e o universo acústico de Laura Marling, entre outros grandes destaques como os grupos Air, Delphic, Crystal Castles, The Walkmen entre muitos outros.

Aumente o volume, aperte o play e aproveite o momento!

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A MACONHA URUGUAIA

E o Uruguai surpreende mais uma vez. No próximo trimestre o governo uruguaio irá encaminhar ao parlamento uma proposta de “legalização controlada” da maconha, como parte da sua nova política externa no combate ao tráfico de drogas.

A proposta uruguaia não é nova, mas inova quanto às condições apresentadas, onde claramente defende o cultivo e a comercialização estatal da droga no país. Segundo Eleuterio Huidobro, ministro da Defesa, a nova proposta discorda do cultivo próprio por temer a falta de controle da produção. A proposta uruguaia determina que o cultivo, a distribuição e a comercialização da maconha, seja efetuada por meio de uma rede estatal, fiscalizada e administrada pelo governo. O objetivo é tomar o mercado do tráfico, asfixiando os traficantes, mas sem a estimulação do consumo da droga.

Mas a legalização é a solução para acabar com o tráfico de drogas? Não.

Entre todos os entorpecentes ilegais a maconha é, ou está, entre os menos prejudiciais, e sem dúvida  representa a maior fatia do mercado consumidor. Sua legalização provavelmente enfraquecerá o poder do tráfico, mas não representa a extinção dos traficantes. Acreditar que a sua descriminalização representa a expansão do seu mercado consumidor, e consequentemente o aumento do consumo de outras drogas, é um pensamento ingênuo e hipócrita. Pois o cigarro e o álcool possuem o mesmo poder de sedução ao vício, e são igualmente ou mais prejudiciais à saúde.

O Uruguai trata a questão com cuidado, pois teme o posicionamento internacional quanto à descriminalização, procurando criar medidas para que futuramente o país não seja acusado de ser um centro de fabricação e distribuição da droga aos demais vizinhos.

Sinceramente eu não sei se a proposta uruguaia é a melhor solução. Mesmo que o cartel estatal represente um avanço na descriminalização da maconha, ele não está imune à corrupção e influência dos próprios traficantes. Lideranças que defendem a legalização reconhecem que a dificuldade é justamente o processo. Por mais que Uruguai anseie pelo título de Amsterdã tropical, os cuidados necessários para o idealismo liberal ainda precisa de muita discussão e planejamento. Caso contrário o preço a ser pago pode ser alto.

De qualquer forma o Uruguai contínua a frente na vanguarda sul-americana. É válido lembrar que desde 2007 a união civil homossexual é reconhecida no país, e curiosamente o presidente uruguaio José Alberto Mujica Cordano, doa 90% do seu salário para programas sociais. Com uma aprovação de 52% do eleitorado,  Mujica exerce a filosofia de que viver como pobre é a única maneira de libertar-se das pressões do consumismo. Louvável.

SABONETES E O COVER DE ERASMO CARLOS

O projeto Muda Rock convidou diversos músicos para homenagear e regravar os clássicos de Erasmo Carlos, sem dúvida um dos maiores compositores da música brasileira. A homenagem faz parte de uma incrível iniciativa, onde o projeto disponibiliza os covers para download gratuito, e garante o plantio de uma árvore para cada download realizado. A meta é alcançar 1 milhão de downloads para garantir o plantio de 1 milhão de árvores. Para participar basta acessar o site do projeto e fazer o download aceitando o seu termo de permissão.

Entre os músicos que participam do projeto, a banda Sabonetes regravou e produziu um clipe para a canção “Vem Quente Que Eu Estou Fervendo“, sob a ótima direção de Alexandre Guedes, Guilherme Biglia e Giuliano Biondi Batista. O resultado é honesto e digno para um dos grandes clássicos do rock nacional.

Em resposta emocionada pela realização do projeto, Erasmo comentou no twitter sua percepção quanto ao cover e o novo clipe do grupo Sabanetes:

Lembrando que o Sabonetes já realizou diversos outros covers bacanas, entre eles o cover de “Pumped Up Kicks”, da banda americana Foster The People, com a participação de membros dos grupos Lemoskine e a Banda Mais Bonita da Cidade.

GARBAGE TOUR 2012 NO BRASIL?

Existem algumas especulações quanto a uma possível apresentação do Garbage no Brasil. A banda está cotada como uma das atrações principais de um dos maiores festivais do país, mas nada ainda está definido.

Enquanto tudo se resume a uma expectativa comercial, confira uma recente apresentação do grupo em Nova Iorque, com a turnê de seu mais recente álbum, o surpreendente Not Your Kind of People.

Shirley Manson está em ótima forma em uma apresentação com quase duas horas de duração, e impressionantes 21 músicas executadas no show registrado pela MTV no Webster Hall.

Setlist do show no Webster Hall, NYC.

– Automatic Systematic Habit
– Temptation Waits
– Shut Your Mouth
– Queer
– Metal Heart
– Stupid Girl
– Why Do You Love Me
– The World Is Not Enough
– #1 Crush
– Cherry Lips (Go Baby Go!)
– Blood for Poppies
– Battle In Me
– Milk
– Big Bright World
– I Think I’m Paranoid
– Bad Boyfriend
– Only Happy When It Rains
– Push It
– Supervixen
– The Trick is to Keep Breathing
– Vow

HQZ

A TRANSFORMAÇÃO DE KATE NASH

Quando surgiu com o álbum Made Of Bricks, em 2007, Kate Nash navegava com soberania no universo pop, transformando-se em uma diva indie adocicada, com hits de beleza delicada e apaixonante, como a belíssima “Foundations”.

Os anos promoveram uma mudança inesperada em Kate, que surge irreconhecível no vídeo de “Under-Estimate The Girl”, um garage rock repleto de distorção, gritos, solos de guitarras e uma transformada Kate Nash, agora riot grrrl agressiva, desvirginada e absurdamente atraente.

Sem qualquer previsão de lançamento de um novo álbum, “Under-Estimate The Girl” deve servir como prévia da nova encarnação deliciosa de Nash. Se o pop virginal de 2007 fez de Kate uma princesa apaixonante e delicada, sua transformação radical em 2012 sem dúvida irá elevá-la ao posto de objeto de desejo universal.

Para fazer o download de “Under-estimate The Girl” basta acessar e se cadastrar gratuitamente no mailing da cantora britânica.

 

O MEU FESTIVAL IDEAL

Essa semana em seu site, o amigo Alexandre Matias promoveu um belo exercício de especulação, quando definiu o que seria para si, o line-up ideal para um festival como o celebrado Planeta Terra.

Matias também fez questão de destacar que, no mesmo período do ano passado, o festival Planeta Terra já havia anunciado parte de seu elenco, e todos os seus ingressos já haviam sido esgotados. É claro que o sucesso do ano anterior terá consequências para a edição deste ano, que luta para encontrar uma atração de peso interessante para seu público e patrocinadores, além de tentar vencer obstáculos como a compatibilidade de cachês, disponibilidade de agendas e concorrência de atrações com outros festivais nacionais de grande porte.

O exercício de Matias é simples e muito divertido. O jornalista estabeleceu o line-up de um festival de acordo com o seu gosto musical, dividindo as atrações em dois palcos do que imagina ser um evento utópico. Por fim, Matias desafia seus leitores a estabelecer o seu próprio line-up ideal, e como eu adoro desafios do gênero, defini abaixo dois line-ups fictícios para o que eu acredito ser um festival incrível.

No palco indie o meu line-up perfeito seria eletrônico e introspectivo, com as seguintes atrações:

No palco principal o clima seria mais emergencial, energético e quente, com os grades:

E a sua seleção, consegue imaginar como seria?

OCEANIA, O NOVO ÁLBUM DO SMASHING PUMPKINS

Quando anunciou o lançamento de um novo álbum, Billy Corgan complicou a já desorientada compreensão dos fãs. Desde que ressuscitou o Smashing Pumpkins, Corgan lançou Zeitgeist, um álbum conceitual fraco, mas que ao menos contava com 50% da formação original do grupo, com a presença breve do baterista Jimmy Chamberlin. Para o desespero dos fãs, Chamberlin se desentendeu com Corgan e novamente abandonou a banda. Corgan manteve-se convicto. Reestruturou o grupo, tornando-se o único membro da formação original, e declarou-se contra o formato de lançamento de músicas, afirmando que havia abandonado o convencional.

Iniciou-se nesse momento uma promessa colossal com o projeto Teargarden By Kaleidyscope, que consiste em 44 músicas distribuídas gratuitamente on-line e comercializadas no formato de EP’s de luxo. Os fãs se animaram, mas a qualidade apresentada com os dois lançamentos iniciais decepcionaram. Corgan foi questionado quanto a sua escassez criativa e declínio de suas letras conceituais.

Em resposta a insatisfação dos fãs, Corgan anunciou o relançamento de todos os álbuns clássicos do grupo, em formatos de luxo incríveis, que incluíam faixas inéditas, DVD com shows e livros que além de fotos inéditas, apresentavam comentários sobre a produção de cada faixa. Os fãs vibraram. Após o relançamento simultâneo de Gish e Siamese Dream, o projeto foi adiado para não ofuscar o lançamento de um novo álbum, intitulado Oceania.

Com o lançamento de Oceania, Corgan se contradiz quanto sua oposição ao formato original, e atribui as 13 faixas do novo álbum como parte do projeto Teargarden By Kaleidyscope, rompendo com a essência inicial do projeto. Os fãs desconfiaram. O que esperar do Smashing Pumpkins com apenas a presença de Corgan como membro original? O que esperar de um novo álbum após o lançamento fracassado de um projeto negativamente criticado como o caso de Teargarden By Kaleidyscope?

Enfim Oceania ganhou o mundo. Uma semana antes do previsto, conforme o lançamento oficial, e com isso colocou-se finalmente a prova dos maiores críticos da banda, os fãs.

Em suma, Oceania surpreende por ser efetivamente o melhor lançamento de Corgan desde a dissolução da formação original da banda. As treze canções presentes em Oceania superam o fraco Zeitgeist e desintegra os terríveis lançamentos da proposta de Teargarden By Kaleidyscope. Provavelmente os trabalhos de recuperação realizados por Corgan, com os relançamentos de Gish e Siamese Dream, influenciaram nas composições presentes em Oceania, pois muitos pontos percebidos no novo álbum são referenciais claros ao passado.

A grande questão presente neste novo lançamento é clara, Oceania é capaz de alcançar a qualidade apresentada nos álbuns lançados pela formação original? Tão claro quanto a pergunta é a óbvia resposta, não.

Corgan já não dispõe da mesma voz e energia presentes no passado. Por mais que se esforce para produzir o peso esperado pelos fãs, ainda existem vazios em suas novas composições. A guitarra estridente e histérica de Iha faz falta. A bateria agressiva e onipresente de Chamberlin fora substituída por um esforço juvenil, que muito ainda precisa evoluir. Infelizmente é preciso assumir que o baixo de D’arcy foi substituído com maestria, e hoje ele é melhor trabalhado por conta da sua evidencia mais vívida nas novas composições. Se este for o envelhecimento de Corgan, ao menos é possível comemorar a retomada da qualidade nas novas canções. Mas definitivamente como legado, tudo o que fora até então lançado sem a formação original, soa como um tributo cover frente aos grandes trabalhos realizados no passado.

E agora uma breve análise faixa-a-faixa de Oceania.

“Quasar”. A faixa de abertura de Oceania é um bom exemplo de guitarras dignas de Corgan. As referências são óbvias quanto à fase Gish, por conta da incrível estrutura formada pelo baixo e bateria. Corgan continua afiado, mas James faz falta com suas intervenções mais criativas do que o monossilábico Jeff Schroeder. Música excelente.

“Panopticon”. Para minha surpresa a faixa mantém o peso, a velocidade e a qualidade da faixa de abertura. As guitarras estão próximas de muitas canções presentes em Pisces Iscariot. Rock simples, objetivo e muito bem elaborado. Uma das melhores canções do novo álbum.

“The Celestials”. O violão inicial é simples e procura cegamente harmonizar com uma ambientação dominada por sintetizadores pouco inspirados. Mas a impressão inicial trata-se apenas de uma introdução descuidada. A canção cresce. O baixo ganha espaço e a bateria adiciona peso. Uma canção agradável com diversas variações instrumentais. Mediana.

“Violet Rays”. Sem dúvida Oceania será lembrada pela experimentação de Corgan com sintetizadores. Em “Violet Rays” a progressão eletrônica acaba com uma intervenção inspirada de guitarras. Digna frente ao passado, é sem dúvida uma das melhores canções lançadas desde a ressureição dos Pumpkins. Uma pérola.

“My Love Is Winter”. Rock simplista, atual e pouco criativo. Um lado-b óbvio e descartável. Provavelmente seja erroneamente eleito single, por buscar novos elementos para a sonoridade da banda, mas não possui elementos suficientes para conquistar uma nova geração de fãs. Dispensável.

“One Diamond, One Heart”. Corgan insiste em programações eletrônicas, mas a urgência de suas composições não permite o crescimento gradual necessário para hipnotizar os ouvintes. “One Diamond, One Heart” cansa, pois falta profundidade em sua estrutura e o clima melancólico de Corgan. Fraca.

“Pinwheels”. A insistência leva a uma infinidade de resultados. O investimento repetitivo em sintetizadores progressivos torna-se um acerto em “Pinwheels”. Pela experimentação crescente, poderia facilmente ocupar a faixa de abertura do novo álbum, mas sua concepção climática se faz assertiva na metade inicial de Oceania. Destaca-se entre as melhores canções do novo álbum. Um exemplo agradável do que podemos esperar do novo Smashing Pumpkins.

“Oceania”. A faixa título do novo álbum não decepciona. Corgan é conhecido por sempre produzir canções de extensa duração em seus álbuns. Uma concepção marcada pela variação de tempo e harmonia, assim como a explosão de peso e o duelo feroz de guitarras ácidas e bateria heroica, surpreendentemente diferente da proposta de “Oceania”. Sua concepção contínua não ganha peso, pelo contrário, a canção mergulha em uma divagação tristonha, delicada e extremamente bonita. Uma mina ópera de Corgan e sem dúvida a melhor canção do novo álbum.

“Pale Horse”. A percussão marcada e o clima gótico imediatamente remete a fase Adore. Uma canção sem peso, mas de extrema profundidade harmônica. Uma grata surpresa nostálgica. Uma bela canção.

“The Chimera”. A harmonia das guitarras aceleradas remete a fase Siamese Dream. Rock objetivo e satisfatório. Um acerto indiscutível. Ao vivo promete render uma boa performance.

“Glissandra”. Um exagero descartável. A aceleração continua peca pelo exibicionismo e falta de equilíbrio entre os instrumentos, cujos sobressaltos são agressivos aos ouvintes mais atenciosos. Um erro.

“Inkless”. O peso é mantido, mas dosado de forma agradável. A aceleração não desagrada e os erros cometidos na canção anterior promovem os acertos presentes em “Inkless”. Uma canção ensolarada sem grande destaque. Boa, porém esquecível.

“Wildflower”. Faixa de encerramento de Oceania. Uma despedida dramática marcada pela crescente progressão de sintetizadores bem orquestrados. Um belo e promissor final. Se Corgan der continuidade aos acertos promovidos por Oceania, é possível que o nome Smashing Pumpkins consiga recuperar o brilho de um passado invejável e intocável.

MESS_TAPE 018 – SOUL BRAZIL

Fiquei surpreendido com o sucesso da MESS_TAPE 004, cujo foco em soul e funk setentista foi destaque até no premiado site do amigo Alexandre Matiaspara a minha felicidade.

Por conta da repercussão positiva, eu decidi explorar novos universos de soul, funk e jazz, nessa nova edição de MESS_TAPE. Mas agora o foco é diferente, pois a atenção está voltada apenas para produções nacionais de qualidade indiscutível.

É claro que a percepção do que entendemos como soul, funk e jazz nacional, é combustível para discussões infinitas, uma vez que muito da nossa cultura única é aplicado em camadas de textura harmônica na concepção dos estilos, mas como negar o soul de Tim Maia, o jazz de Elis Regina e o funk de Jorge Ben? E como classificar novos nomes como Criolo, Lulina, Otto e Garotas Suecas?

Seja qual for a sua concepção, o balanço é irresistível. Portanto entregue-se à boa música nacional em uma seleção especial. Tenho a certeza que você irá aprovar.

E atendendo ao pedido do amigo Alexandre Matias, FINALMENTE eu disponibilizei o link para download dessa incrível seleção. Agora basta apertar o play, aumentar o volume e aproveitar o momento.

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PRIMEIRAS IMPRESSÕES: MEN AT WORK, NOVA SÉRIE DA TBS

Depois de cinco episódios exibidos pelo canal a cabo americano TBS, já é possível ter uma concepção da nova aposta da emissora, a série cômica Men At Work.

Criada pelo ator Breckin Meyer, a série acompanha a divertida vida de quatro amigos que trabalham juntos na redação de uma revista masculina, a fictícia “Full Steam”. Em uma análise precoce e fria, a nova série da TBS mergulha fundo em um oceano de clichês óbvios. Primeiro pela escolha do número chave de personagens principais, quatro é o número de equilíbrio em produções do gênero, sendo poucas vezes desafiado. A caricatura especifica para cada personagem também era óbvia, afinal, parte da trama aposta nos conflitos de diferenças, que serão sempre superados em nome dos laços de amizades. Argumento fraco, previsível, mas está de acordo com todas as regras necessárias para construção de um sucesso artificial.

O sucesso de Men At Work hoje está diretamente ligado à recepção do público e a qualidade cômica individual de seus atores. Danny Masterson, conhecido pela sua participação em That’s 70’s Show, interpreta Milo, um jornalista inseguro que acaba de ser de ser dispensado pela sua namorada, tendo que lidar ao mesmo com o rompimento do seu relacionamento e o retorno à vida de solteiro. James Lesure interpreta Gibbs, um fotógrafo negro, atlético, confiante e solteiro convicto. Sucesso entre as mulheres, Gibbs desfaz a complexidade promovida pelos demais amigos frente ao sexo oposto com uma simplicidade irônica irresistível.

Adam Busch, conhecido pela sua participação em Buffy The Vampire Slayer, interpreta Neal, um atrapalhado funcionário da administração da revista Full Steam e único comprometido entre os quatro amigos. Neal divide-se entre a namorada, interpretada pela linda Amy Smart, os três inseparáveis amigos solteiros e o dono da editora de Full Steam, o sempre incrível JK Simmons, um chefe impiedoso e pai de Amy Smart em Men At Work. O triangulo de interesses entre Adam, Amy e JK é sem dúvida responsável pelos melhores momentos da série.

Michael Cassidy, conhecido por sua participação em Smallville, surpreende no papel do jornalista metrossexual Tyler, cujos trejeitos afeminados podem render um inédito personagem gay para o gênero. Caso os produtores realmente procurem por alguma inovação no universo masculino de Men At Work.

A nova aposta da TBS funciona e convence com seu humor sarcástico masculinizado. Os personagens de Danny Masterson e Adam Busch conquistam a simpatia do publico de imediato, enquanto James Lesure se esforça para chamar a atenção dos espectadores. Michael Cassidy representa a dúvida que desafia os fãs do gênero, com aquele que pode se revelar o primeiro personagem gay inserido em uma trama hetero, com um nível de humor neandertal, digna da qualidade e do universo de concorrentes como Two and a Half Men.

Os cinco episódios exibidos convencem, são divertidos e o elenco se mostra entrosado quanto ao tempo necessário para a comédia do gênero. Uma grata surpresa que ainda precisa sobreviver a guerra da audiência para ganhar terreno e uma nova temporada.

A REDENÇÃO DE MACHINE GUN PREACHER

Machine Gun Preacher registra a emocionante história real de Sam Childers, um convertido ex-detento viciado, e problemático pai de família, que encontrou na fé a sua redenção na vida criminosa que vivera até então. Childers constrói com o auxílio da fé, uma nova relação com o mundo ao seu redor, e conquista uma inimaginável vida estável sob uma conduta estritamente religiosa.

Comovido com a transformação evidente em sua vida, Childers torna-se pastor de sua própria igreja, um lugar seguro, construído por conta da sua gratidão religiosa, onde viciados e ex-detentos podem se sentir aceitos e unidos em torno da fé. Até esse momento, o relato da história real de Sam Childers já garantiria um incrível roteiro sobre superações humanas, um relato forte sobre o poder transformador da fé e a estabilidade garantida por um trabalho honesto, mas ao contrário do pode imaginar, o espectador está apenas acompanhando o prefácio de um verdadeiro super-herói moderno.

Após ter encontrado e se transformado pela fé, Sam Childers aceita o convite de um pastor e embarca em uma breve temporada no Sudão, onde reconstrói casas devastadas pela guerra civil. Uma vez em continente africano, Sam Childers tem contato com a indescritível realidade de uma guerra. Aterrorizado pelo reinado de terror do líder Joseph Kony, o pastor Childers decide redefinir os seus propósitos e assume um papel ativo na luta contra o Lord’s Resistance Army (LRA), um grupo armado que tenta estabelecer um governo teocrático no continente africano.

Joseph Kony é simplesmente o criminoso mais procurado no mundo. A anistia internacional estima que Kony seja o responsável por 400.000 mil assassinatos, e 40.000 mil raptos de crianças, que são torturadas, estupradas e forçadas a integrar o exército terrorista de Kony e seus comandantes.

Frente a uma realidade aterrorizadora, o pastor Sam Childers e sua esposa Lynn, fundaram o “Angels of East Africa”, um orfanato na cidade de Nimule, Sudão do Sul, onde atualmente possuem mais de 300 crianças sob seus cuidados. Devido à sua causa humanitária, e a sua imagem de marcada por segurar uma Bíblia em uma mão, e um fuzil AK 47 noutra, Childers foi apelidado de “Machine Gun Preacher”.

O filme dirigido por Marc Forster conta com Gerard Butler, Kathy Baker e Michelle Monaghan no elenco principal, e relata com precisão muitas das histórias presentes na biografia de Childers, o livro “Another Man’s War”.

Sem dúvida é quase inacreditável o poder de transformação atribuído à fé em Sam Childers. Sua causa humanitária, detalhada com cuidado no fime de Forster, elucida a triste realidade da guerra civil africana, transformando o relato em uma obra indispensável e atual. É uma pena imaginar que filmes dessa importância são obras despercebidas frente à blockbusters comerciais, onde guerras entre robôs tendem a ganhar mais atenção do que atrocidades reais, e os homens que verdadeiramente lutam contra o mal em algum lugar do nosso verdadeiro universo.

Recomendação obrigatória.

MESS_TAPE 017 – DIA DOS NAMORADOS

Light Asylum, Hospitality, Edward Sharpe & The Magnetic Zeros, Fair Ohs, Dead Sara, Jacques Greene, Lianne La Havas e Of Monsters and Men, são apenas alguns nomes que participam dessa seleção imperdível, pronta para animar o seu dia dos namorados, esteja acompanhado ou não.

Portanto aumente o volume, e deixe a boa música lhe fazer companhia.

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PARA COMEÇAR BEM A SEMANA – EMILY AND THE WOODS

O futuro da britânica Emily, responsável pelo projeto Emily and the Woods, é promissor. Com apenas dois EP’s lançados, Emily tem conquistado a simpatia da crítica especializada e apresentações concorridas, sempre com ótima resposta do público. Confira agora uma amostra do trabalho de Emily com o clipe de “Steal His Heart”.

E também não deixe de conferir o EP homônimo do grupo, um trabalho marcado pela ambientação sublime da fantástica voz de Emily. Para começar MUITO bem a semana.

SEIS VÍDEOS PARA UMA SEXTA-FEIRA

Provavelmente iremos nos apaixonar em breve pelo peso histérico do grupo Dead Sara. Prometo que aos apreciadores de peso, a canção “Weatherman” é irresistível.

 

A sensibilidade de “Trembling Hands” é suficiente para captar a nossa atenção ao novo trabalho do The Temper Trap. Elegante.

 

Lianne La Havas será sem dúvida a sua próxima diva. “Is Your Love Big Enough?” é simplesmente deliciosa. Entregue-se ao ritmo.

 

A dupla Electric Guest deve conquistar em breve o título de novo fenômeno indie. Confira a ótima “This Head I Hold” e entregue-se ao hype.

 

Non Tiq é uma artista sueca excepcional, responsável por texturas eletrônicas plenas, cuja qualidade é indiscutível. Presença garantida na sua próxima festa.

 

Lucy Rose é uma beleza tímida, cuja voz cristalina despedaça corações na mesma velocidades que seus olhos verdes conquistam o universo. Confira a performance acústica de “All I’ve Got” e tente não se apaixonar.

SYNTHETICA – O NOVO METRIC

Os canadenses do Metric estão de volta com Synthetica, seu quinto álbum de estúdio. O álbum que será oficialmente lançado nas próximas semanas já pode ser conferido via streaming, no soundcloud oficial da banda.

Após uma audição completa do novo trabalho do Metric, registramos as impressões iniciais de cada faixa de Synthetica, que apesar de não inovar mantém a qualidade acima da média na maioria de suas canções.

“Artificial Nocturne” é a introdução progressiva de Synthetica. Uma canção que abusa de camadas sonoras e uma batida hipnótica constante, orquestrada pelos sintetizadores melancólicos e a voz adocicada da vocalista Emily Haines. Um bom começo.

“Youth Without Youth” abusa de percussão e guitarras marcadas. Uma canção simples e inofensiva que não acrescenta ou diminui nada ao novo álbum. Esquecível.

“Speed The Collapse” é a clássica canção do estilo Metric. Sobre uma base dançante, marcada por texturas acústicas e guitarras em loops contínuos, o grupo constrói uma estrutura perfeita para as exposições vocais de Emily. Uma ótima canção.

Em “Breathing Underwater” basta escutar os 20 segundos iniciais para entender que trata-se de um single absoluto. A batida marcial combinada com sintetizadores e guitarras dedilhadas, resultam na combinação perfeita para uma progressão dançante absoluta, muito bem construída pelos canadenses. Excelente.

“Dreams So Real” funciona como um intervalo hipnótico dominado por sintetizadores e vozes projetadas, com pouca interação percussiva ou riffs marcantes. Descartável.

“Lost Kitten” surpreende. Emily projeta sua voz em um falsete agudo agradável, sobre uma base pop repleta de elementos cirurgicamente balanceados, criando um adorável single refrescante.

Os canadenses do Metric

“The Void” não inova, surpreende ou desagrada. Sua batida marcante não evolui e os riffs soam preguiçosos e previsíveis. Seu vocal melódico projetado acima da média surpreende, mas a canção já está destinada ao papel de coadjuvante invisível. Fraca.

“Synthetica” é acelerada. Harmoniosamente trabalhada com intervalos muito bem marcados pela mudança climática. Como música que dá nome ao novo álbum ela não decepciona, e ainda concorre a single deste novo trabalho.

“Clone” possui uma base eletrônica balanceada, agradável e inicialmente leve. As intercessões de guitarra e bateria, são perfeitamente equalizadas com a necessidade harmônica da canção. Sem dúvida uma das melhores canções deste novo trabalho. Pessoalmente a minha favorita.

“The Wanderlust” resgata a velocidade ignorada em “Clone” e injeta a participação marcante de Lou Reed nos vocais. Uma canção marcante, construída sobre uma base de programação em variação de tempo constante, acompanhada de excelentes riffs de guitarras. Uma bela canção.

Com “Nothing But Time” os canadenses encerram este novo trabalho. E assim como a faixa de abertura, “Nothing But Time” constrói uma base progressiva de sintetizadores e ganha bateria acelerada, em uma progressão que se desfaz em uma harmonia decrescente extremamente agradável.

Em um trabalho marcado pela maior quantidade de acertos, o Metric deve agradar fãs e se aproximar timidamente de novos ouvintes, mas ainda não conquistou uma obra de peso suficiente para explodir além das barreiras independentes, educadamente se posicionando próximo a fronteira mainstream sem arriscar qualquer movimento ousado.