Archive | julho 2012

A ESTRADA TEDIOSA DE WALTER SALLES

Nunca subestime um idealizador, pois por mais próximo que esteja do sucesso, ele sempre vai manter um dos pés preso ao fracasso. E Walter Salles infelizmente fracassou. On The Road (Na Estrada, em português), possui tudo o que um grande filme gostaria de poder ostentar, ao mesmo tempo em que figura sem temores, pelo cultuado universo independente cinematográfico, um paraíso falido, habitado por boas ideias, pretensão e nenhuma bilheteria.

O plano era perfeito. O roteiro obedece às regras (?) presentes na cultuada bíblia beat, do superestimado (vamos ser sinceros?) escritor Jack Kerouac. A direção e produção são confiadas a uma nova (talvez em questão de orçamento e visibilidade) promessa estrangeira em Hollywood, o nosso digníssimo Walter Salles. E para provar que não se trata apenas de uma diva adolescente, uma estrela em ascensão aposta na produção rotulada como independente (mas com expectativas de blockbuster), arriscando uma nudez parcial inédita, em uma tentativa pífia de tornar-se uma atriz genuína, a doce e infiel Kristen Stewart.

A trama é simples, arrogante e genial. Ritmado por sexo, drogas e jazz, On The Road conta a história do jovem escritor Sal Paradise (interpretado pelo antipático Sam Riley), cuja vida é sacudida e inteiramente transformada pela chegada de Dean Moriarty (o quase herói Garrett Hedlund), um jovem libertário destemido e contagiante, cuja amante Marylou (Kristen Stewart), possui apenas de 16 anos de idade. Eu entendo que alguns poderiam acreditar que On The Road trata-se de uma mascarada história de pedofilia revolucionária, mas não é – eu espero.

Tem quem encontre a filosofia pílula de Kerouac na obra de Salles, tem que engula a estrada como protagonista principal, como um sinônimo de mudança, transformação e crescimento. Provavelmente alguém se permitiu convencer quanto às “insanidades colegiais” de Dean Moriarty, interpretado pelo iceberg Garrett Hedlund. Eu acredito. Eu acredito em tudo. Mas eu não acredito que o papel da sexy e endiabrada Marylou, tenha ficado sob os cuidados da salgada Kristen Stewart. Não existe expressão em Stewart que alcance o que entendemos como sexy. Ela não funciona sequer seminua com óculos de sol. Sua expressão assexuada não consegue transmitir a euforia histérica e descontrolável que se espera de uma convincente Marylou. E assim, também é possível que afirmar que Salles fracassou na definição do seu elenco.

A obra de Kerouac é seca e amarga. A falta de inspiração do escritor Sal Paradise sofre uma transformação absoluta com a chegada do anárquico Dean Moriarty, e sua devassa namorada juvenil Marylou. Enquanto Dean atravessa o país, ignorando regras e limites de velocidade, Sal se aproxima cada vez mais do universo errático do caótico novo amigo, relacionando-se com drogas, clubes de jazz e apaixonando-se por Marylou, com quem irá viver um breve triangulo amoroso. A profundidade dos personagens está distante do superficial, e o romance proibido é questionado com uma proposta liberal, enquanto o jazz embala todos os corpos delirantes, dominados por entorpecentes em quantidades quase mortais. Perfeito. A obra escrita é de fato emocionante, e o poderia facilmente se resultar no argumento perfeito para o filme do ano. Obra prima. Se não fosse a sensibilidade errático de Salles e seu fracasso colossal.

Salles poderia explorar melhor a tensa relação entre Dean, Sal e Marylou. Poderia inclusive mergulhar nos conflitos filosóficos e idealistas do anárquico Moriarty, a compulsão sexual incessante de  Marylou e o amor secreto de Paradise pelos dois maiores coadjuvantes. Salles poderia dosar o jazz de forma hipnótica, entre os pequenos episódios da estrada de Kerouac, onde um novo  Paradise ressurge, ao experimentar um novo mundo e alcançar o que é necessário para a sua combustão criativa como jovem escritor. Tudo era possível ao diretor Salles. E mesmo assim toda a tensão humana presente na obra literária de Kerouac, foi estupidamente ignorada pelo promissor estrangeiro.

On The Road é um filme mediano por que está perdido em si. Salles apostou em uma excessiva utilização da estrada como metáfora paradoxal, e assim impediu que a sua obra alcançasse um nível mais substancial. Como espectador eu recordo de ter encontrado uma exagerada e repetitiva estrada em quadro aberto, com uma fotografia impecável e o seu bucólico horizonte infinito desafiado por carros memoráveis. Essa cena se repete tão exaustivamente, que tudo na obra de Salles torna-se passageiro. A estrada matou a obra de Kerouac. Seus episódios pitorescos e essenciais para o crescimento dos personagens, se transformam em breves aspirações sem profundidade na obra de Salles.

O filme deveria crescer em relação às tensões dos relacionamentos contidos nele, mas no fim o maior protagonista é a estrada, retratada sob todos os ângulos possíveis, sem qualquer diálogo, sem qualquer sentido. A filosofia libertária do celebrado autor, torna-se uma constante vazia na projeção do emocionado diretor. O livro de Kerouac não vale o ingresso de cinema de Salles.

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PARA UM DESREGRADO AMIGO

Nos últimos dias eu busquei o propósito deste espaço. Afinal, qual o valor de algo sem propósito, certo? E a resposta que eu encontrei é cruel e divertida. Vou ser bem sincero agora, pois o verdadeiro propósito é na realidade um desejo egoísta. Não existe competição. Hoje vivemos uma época limitada à profundidade cravada em 140 caracteres. Críticos são convidados especiais em pré-estreias repletas de celebridades efêmeras, pipoca gordurosa e brindes promocionais. O mundo é uma vitrine elegante, repleta de patrocinadores opressores e sorrisos gananciosos.

Pode não parecer, mas eu me dedico. Eu gosto de construir um bom texto, e escrevo para reunir ideias e amigos. Desde o início todos são bem vindos ao meu universo. Aqui o destaque atreve-se ao atemporal. Não possui qualquer regra e toda opinião é livre, mas não necessariamente aceita. Quando funciona é lindo. Eu juro. Mas existem dias confusos. Onde por um breve momento eu realmente me senti perdido e ridicularizado pela minha própria estupidez.

Agora retomaremos o foco. Retomaremos o propósito inexplicável e egoísta presente em cada linha deste universo ácido. Se existe uma única regra para a nossa anarquia delirante, ela é clara, nunca seja óbvio.

SEMANA QUENTE E NERVOSA

Juro que estava em dúvida quanto à publicação de qualquer comentário em relação às novidades da semana. Pensei que seria prudente esperar o máximo possível, e dessa forma abordar o maior número possível de novidades, mas talvez a espera neste caso seja equívoca.

Em um universo emergencial e faminto como o nosso, a novidade da segunda-feira é extremo passado se descoberto na quinta-feira. A desatenção pode inclusive ser tolamente cobrada como atraso, mas na realidade este não é o caso. Comigo não existe competição, vencedor, perdedor ou prêmio para quem descobrir primeiro uma “grande” ou “boa” novidade. Deixo essa obsessiva necessidade egocêntrica para os colegiais.

De qualquer forma, o meu equívoco refere-se ao volume. Imprevisível! Observo os últimos minutos de quarta-feira esgotarem-se, desacreditando que existem DEZ novos vídeos assombrando o caótico universo da música. Existe muito mais, eu sei, mas esses são aqueles que interessam AGORA.

E pensar que ontem eu estava selecionando mambos dançantes e hipnotizantes para a última edição de MESS_TAPE. Definitivamente o universo está cada vez mais faminto e emergencial. E com certeza absoluta, existem mais bandas do que pessoas no mundo. Dúvida?

Depois de 10 anos de espera, dissolução, projetos solos e reunião, o grupo No Doubt retorna à boa forma com “Settle Down”, o primeiro single do novo álbum, Push And Shove. O frescor do seu característico pop-rock / ska / reggae, continuam presentes sem perder a qualidade. O grupo surpreende ao retornar com um single de impressionantes 6 minutos de duração, e flertes com o deep house. No que depender de “Settle Down”, o retorno do No Doubt supera qualquer expectativa.

Com participação (dispensável) do rapper Tinie Tempah, a inglesa Ellie Goulding regravou “Hanging On”, uma canção do projeto eletrônico Active Child, obra do americano Pat Grossi. O resultado é agradável, e o clipe é suficientemente simpático para Goulding continuar a sua saga norte-americana, onde tem conquistado cada vez mais público e a atenção da mídia especializada. Eu apostaria em Ellie.

Objetivamente? Eu não gosto da Mallu Magalhães. Eu não consigo me apaixonar pela sua instrumentação superestimada e pouco criativa. O hype não me convenceu. Eu já não gostava da sua voz irritante desde o início, quando ainda não era assediada pelo pedófilo Marcelo Camelo, e agora, quando Mallu decidiu abusar do sussurro débil em suas novas canções, eu não consigo conter minhas convulsões gástricas a cada frase pronunciada pelo prodígio indie nacional. Mas… Existem os fãs. Eu tento entender. Mas… Sinceramente eu não entendo. E acredite, apreciar as pernas (sério mesmo?) de Mallu Magalhães hoje, não faz de você um melhor pedófilo que o Marcelo Camelo de ontem. Juro.

O Sin Ayuda é uma banda paulista independente, cuja sonoridade garage rock é digna da fase mais delinquente e apaixonante de nomes como Iggy Pop and The Stooges. Divulgando o novo EP Boat, o grupo promove o lançamento do honesto clipe de “Scum”, talvez o clipe de menor orçamento do ano. Mas sinceramente, a música é o que interessa, e deveria ser sempre a única e maior estrela do vídeo. Pelo menos EU creio que essa é a regra para genuínas bandas de rock.

A Banda Uó não pode ser uma coisa séria, certo? Eu não tenho dúvidas em relação ao bom humor de suas letras, e a criativa produção escrachada do seu animado forró / brega / eletrônico, mas tenho certeza que toda graça possui uma data de validade. Mas enquanto o grupo não perder a graça, vamos aproveitar, afinal, quem não quer rir e se divertir?

Para a minha surpresa o novo singles do grupo Hot Chip é a bela e lenta “Look At Where We Are”, uma das pérolas do álbum In Our Heads. Com direção de Danny Perez, o novo single do grupo continua a apostar em visuais nonsenses, repletos de elementos da criativa ficção científica (bizarra e inexplicável) do grupo inglês. Visualmente o resultado é exagerado, mas sem dúvida trata-se de uma deliciosa canção.

O Vuvuvultures (definitivamente esse não é um bom nome para uma banda), é um quarteto formado na Inglaterra, cuja baixista (SURPRESA!), é a brasileira Nicole Bettencourt Coelho. O grupo promove o lançamento do clipe de “I’ll Cut You”, última faixa do único EP do grupo, o emblemático VVV. Com referências marcadas pelo rock industrial e o pós-punk, o quarteto inglês surpreende em sua estreia, mesmo quando abusa de elementos grotescos de gosto duvidoso, com clara referencia ao filme Labirinto do Fauno, presentes no clipe de “I’ll Cut You”. Boa promessa.

E Jack White solo rende mais um magnífico videoclipe, com direção estrelada pelo celebrado produtor Hype Williams. A parceria de White / Williams resultou em um moderno velho-oeste psicodélico, estrelado por White e duas sensualíssimas morenas, que eu acredito representar os dois lados da lei. O clipe da badalada “Freedom At 21” (canção poderosa, que possui um dos melhores solos de guitarra do ano) também conta com a participação do bem humorado Josh Homme, uma combinação imune ao erro.

E aproxima-se um dos lançamentos mais esperados do ano. Coexist, o novo álbum do grupo The xx, deve ser disponibilizado apenas no cabalístico 11 de setembro, mas o quarteto inglês promove antecipadamente o lançamento do vídeo (não tenho certeza se trata-se de um vídeo) de “Angels”, a hipnótica e intimista faixa de abertura do novo álbum. A sonoridade do grupo continua idêntica ao trabalho anterior, explorando atmosferas minimalistas obscuras, pontuada pela intensa melancolia tímida da voz de Romy Madley Croft. O vídeo é um enigma bacteriológico quase estático, perfeito para não roubar as microscópicas extravagancias de uma das mais interessantes bandas da atualidade.

O talentoso multi-instrumentista independente Vitor Patalano, promove o lançamento do videoclipe da canção “Death Cheating Tuna Cowboys”, uma das melhores composições do seu conceituado projeto Me & The Plant. Enquanto a canção equilibra-se entre elementos orientais e o faroeste americano, o vídeo surpreende com uma bela produção estrelada por diversas figuras inexplicáveis, como cowboys modernos, uma diva digna da arte de Botero e uma apocalíptica gangue de mobilete. Difícil de explicar, mas definitivamente recomendável.

O AVENTUREIRO EXÓTICO – MESS_TAPE 022

Hoje eu preciso ser breve e objetivo, infelizmente.

Para uma semana caótica, elaboramos um novo e revigorante MESS_TAPE. Enquanto o frio castiga a cidade de São Paulo, selecionamos uma trilha sonora exótica para você mergulhar em um universo paralelo, repleto de tempero mexicano, mambo, country e experimentações eletrônicas imprevisíveis. Como sempre a qualidade é garantida, e o prazer é absoluto.

Portanto aperte o play, aumente o volume e boa viagem!

Hasta luego cabrón!

THE BIG YEAR – UM GRANDE MOMENTO DE BLACK, MARTIN E WILSON

Quando foi anunciado a união dos nomes – grandes nomes por sinal – Jack Black, Steve Martin e Owen Wilson, foi impossível não imaginar uma comédia leve, repleta de bons momentos isolados, e claro, absolutamente descartável. Um erro. Neste caso, nenhuma prévia expectativa estava correta, transformando a obra do diretor David Frankel, em uma agradável surpresa açucarada.

Independentemente do seu elenco estrelar, The Big Year surpreende e conquista graças ao seu inusitado e bem construído roteiro, um pérola dramática, elaborada por meio do desenvolvimento de uma trama comum, dividida em três perspectivas diferentes.

A paixão pelos pássaros e a participação em uma inusitada competição de observação de aves, une os distintos e desconhecidos Brad Harris (Jack Black), Stu Preissler (Steve Martin) e Kenny Bostick (Owen Wilson), em uma incrível e transformadora jornada. Enquanto Bostick luta para manter o título de maior observador de aves do mundo, seu casamento em ruínas mergulha em um processo de deterioração gradual, graças a sua ambiciosa desatenção.

Diferente de Bostick e sua crise da meia-idade, Preissler é um diretor executivo de sucesso, que sofre para desvincular-se de uma vida devotada ao trabalho, para finalmente poder dedicar-se a família e a observação de pássaros, suas duas maiores paixões.

Em uma vida sem qualquer grande êxito ou relacionamento, Harris demostra possuir um talento sobrenatural para a identificação de pássaros, a acredita que a competição de observação de aves será o seu grande momento de mudança, caso conquiste o título de Bostick, e se torne o maior observador de aves do mundo.

É claro que a grande competição de observação de aves, presente em The Big Year, será apenas o cenário para o desenvolvimento de questionamentos modernos e universais. A pérola da trama de Frankel está na exploração das diferentes crises pessoais de seus protagonistas, intercalando tensão com cenários majestosos, humor ocasional e informações curiosas sobre aves e a prática de observá-las.  Sem dúvida uma grande surpresa para o que se acreditava ser mais uma comédia plástica previsível. Recomendável para os apreciadores de filmes pontuados por mensagens de reflexão.

DEPOIS DE AMANHÃ

E no próximo domingo começa a nova e última temporada de Breaking Bad. Simplesmente a melhor série dramática de todos os tempos.

A MELHOR DE TODOS OS TEMPOS – MESS_TAPE 021

Eu gostaria de saber o que é necessário escrever para vocês acreditarem que de fato, a nova edição de MESS_TAPE é uma pequena obra prima. Não se trata apenas de escolher aleatoriamente algumas boas canções, e ordená-las em uma sequência qualquer. Existe uma verdadeira ciência perceptiva em cada edição que preparamos. Todas com um único objetivo em comum, providenciar um momento de prazer ao ouvinte, através do que acreditamos ser uma boa dose de música.

Em cada edição definimos um tema ou celebramos a obra de um grande grupo. A sua duração varia de acordo com a proposta do tema, ou a extensão da obra do artista. Em média, garantimos no mínimo uma hora de total satisfação auditiva. Mas não existem regras.

Os temas são definidos através de concepções comuns, situações e momentos que vivenciamos independente de qualquer localização geográfica, faixa etária ou sexo. Já disponibilizamos temas para: Tarde de Domingo, Festa em Apartamento, Soul e Funk para o Jantar, Aquecimento para um Feriado Frio, Dia dos Namorados (mesmo para quem está solteiro), Bedtime Stories (uma seleção dedicada ao sexo e o amor), Ladies First (destacando apenas mulheres vocalistas), Soul Brazil (para celebrar o melhor do balanço nacional), e Para Compensar o Atraso, um pedido de desculpas em formato de música.

Os artistas celebrados em MESS_TAPE variam desde o imortal Rolling Stones, o clássico AC/DC, o experimental Sonic Youth, o exótico Sigur Rós, o intimista Radio Dept, os populares Franz Ferdinand e Red Hot Chili Peppers, e o saudoso Beastie Boys. Nomes absolutos em edições imperdíveis. Basta definir o seu momento, escolher uma seleção, e mergulhar em uma cuidadosa apuração musical.

Cada canção selecionada é cuidadosamente escolhida. A ordem de execução obedece a diversos critérios de percepções, com o objetivo de criar um clima contínuo, repleto de variações de tempo, loops e emoções genuínas, em uma mágica alquimia musical.

A nova edição de MESS_TAPE celebra o relaxamento. Para aqueles que sobrevivem imersos ao caos urbano, e aqueles que mesmo distante dos grandes centros, procuram por um breve momento de paz. Para a sua seleção, dedicamos dias e noites experimentando diversos artistas e gêneros, como o Deep House, Ambient Jazz, Chillout Lounge e outras vertentes experimentais.

O resultado é uma incrível seleção de treze diferentes artistas, em uma imperdível viagem com diferentes estados de espírito. Sem dúvida alguma, a minha maior obra prima. Portanto aproveite, aumente o volume, aperte o play e relaxe.

Caso você não esteja visualizando o player, basta atualizar a página novamente.

PRONTO PARA O NOVO (E TALVEZ ÚLTIMO) BATMAN?

Você está preparado para a estréia do novo e último filme da trilogia Batman, escrita e dirigida por Christopher Nolan? O estúdio Warner Bros aposta que The Dark Knight Rises (Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, em português) será o filme mais rentável da história do cinema.

Independente de qualquer resultado financeiro, é certo que o filme será um dos grandes destaques deste ano. E para conter a ansiedade dos fãs (definitivamente em contagem regressiva), reunimos os quatro trailers oficiais da épica conclusão de Nolan, assim como um espetacular pôster artístico destacando um provável  fim para o cavaleiro das trevas.

A terceira parte da trilogia estreia no Brasil em 27 de julho.

JÁ OUVIU A NOVA MÚSICA DO…

A semana promete ser agitada. Enquanto três grandes bandas divulgam amostras de seus novos trabalhos, cujos lançamentos devem ocorrer em breve, uma celebrada banda apresenta um novo single do seu já celebrado (e disponível) novo álbum. Confira as novidades e prepare-se para muito mais, afinal, quem sabe o que pode acontecer até domingo, certo?

Com o lançamento previsto para a segunda quinzena de agosto, o novo trabalho do grupo inglês Bloc Party promete ser um dos grandes álbuns do ano. Distanciando-se das experimentações eletrônicas presentes nos álbuns anteriores, a canção “Octopus” (primeiro single do álbum Four), surpreende os ouvintes com uma harmonia orgânica, dançante e incrivelmente viciante, com direito a um videoclipe psicodélico e excessivamente colorido.

Dando continuidade à divulgação do elogiado álbum Heaven, os americanos do The Walkmen lançaram o clipe da energética “The Love You Love”, com direto a introdução instrumental da canção “Jerry Jr.’s Tune”. O vídeo trabalhado em preto e branco não alcança a grandiosidade da canção, mas acrescenta ao celebrado álbum um belo exercício artístico, para aquele que deve figurar entre os melhores álbuns do ano.

Sucessor de Infinite Arms (lançado em 2010), Mirage Rock é o título do aguardado novo álbum do grupo Band of Horses, cujo lançamento está previsto para a segunda quinzena de setembro. Para conter a ansiedade dos fãs, o grupo de Seattle disponibilizou o vídeo de “Knock Knock”, o primeiro single deste novo trabalho. Eu sinceramente nunca fui muito fã da banda, mas me surpreendi pela versatilidade de “Knock Knock”, um indie rock simplista, ensolarado e empolgante, cujo refrão deve funcionar bem em qualquer boa festa.

Gravado no popular Piscinão de Ramos, na cidade do Rio de Janeiro, o Bonde do Rolê divulga o vídeo de “Brazilian Boys”, o segundo single de Tropical Bacanal, álbum cujo lançamento está previsto para o início de agosto. Com participação da cantora jamaicana Ce’Cile, “Brazilian Boys” consolida definitivamente Laura Taylor como vocalista principal do grupo, além de explorar as “belezas naturais atordoantes” da animada cidade do Rio de Janeiro.

2012 E OS SEIS (PRIMEIROS) MESES DE MÚSICA – PARTE 1

2012 não tem surpreendido. Desde o início do ano muitos nomes veteranos e estreantes lançaram novos álbuns, mas sinceramente nenhum foi capaz de causar um impacto verdadeiramente impressionante. De qualquer forma muitos pontos isolados merecem destaque, e provavelmente alguns nomes já garantiram sua presença na lista de melhores do ano. Em uma retrospectiva precoce, selecionamos 13 álbuns e seus respectivos destaques, lançados desde o início do ano.

Confira a nossa seleção e sinta-se convidado a participar com a sua opinião. 2012 está apenas começando.

>> Japandroids – Celebration Rock

Japandroids tem causado muita repercussão com o seu ótimo Celebration Rock, um compacto com apenas oito canções revigorantes, cujas guitarras aceleradas e ensurdecedoras resgatam o espirito sujo e agressivo do garage rock. Não deixe conferir as distorções alternativas de “Adrenaline Nightshift” e “Fire’s Highway”, assim como o peso incessante de “Younger Us”, sem dúvida a melhor canção de Celebration Rock.

>> Mark Lanegan – Blues Funeral

Após oito anos de espera e diferentes participações especiais, Mark Lanegan retorna solo com o lançamento de Blues Funeral, um álbum denso e obscuro, marcado pela poesia impactante de Lanegan, imersa em uma ambientação eletrônica visceral e sombria. Com participações especiais de Josh Homme, Greg Dulli e Chris Goss, o lendário Lanegan constrói conexões sonoras atordoantes, com destaque para “The Gravedigger’s Song”, “St. Louis Elegy” e “Quiver Syndrome”.

>> Cloud Nothings – Attack on Memory

Produzido por Steve Albini, o novo trabalho do Cloud Nothings é impecável. A fusão entre a despretensão do garage rock com o peso do grunge, e uma pequena dose de rock alternativo, são arrebatadores. O resgate sonoro é histérico e energético. Apesar de não inovar musicalmente, o álbum Attack on Memory deve multiplicar o número de ouvintes do grupo e figurar entre os melhores trabalhos do ano. Destaque para a a pulsante “No Future/No Past”, a climática “Wasted Days” (com óbvia influência de Sonic Youth), e “Our Plans”, um explosivo e viciante hardcore alternativo.

>> Fiona Apple – The Idler Wheel Is Wiser Than the Driver of the Screw and Whipping Cords Will Serve You More Than Ropes Will Ever Do

O retorno aguardado de Fiona Apple surpreendeu pela sua experimentação melódica anticonvencional. Abusando de vocais minimalistas em constante variação, Apple disseca poesias repletas de metáforas sobre psicoses modernas, marcadas por uma incrível harmonia espacial entre o seu onipresente piano, e uma corrosiva percussão crua. Um retorno delirante e emocionado, produzido com intensidade para ouvintes atentos. Destaque para “Werewolf”, a sensível “Every Single Night” e “Anything We Want”.

>> Keane – Strangeland

Ainda em recuperação após o lançamento do inexpressivo (e péssimo) álbum Night Train, lançado em 2010, o grupo inglês Keane resgata parte de suas harmonias originais com Strangeland, um álbum coeso e bem escrito, mas infelizmente marcado por momentos notáveis isolados, como a canção “Silenced By The Night”, uma pérola perdida no irregular processo de reabilitação dos ingleses.

>> Delta Spirit – Delta Spirit

O Delta Spirit surpreende pela simplicidade de suas canções. Suas harmonias envolvem o ouvinte através de melodias extremamente doces e agradáveis. Um álbum sem pretensões grandiosas, destacando-se pela falta de excessos e o ensolarado universo presente em suas canções. Entregue-se ao prazer de ouvir “Empty House”, “California” e “Time Bomb”.

>> The Cribs – In the Belly of the Brazen Bull

O Cribs se mantém ativo, irregular e irritante como sempre. Considerado por muitos como uma banda superestimada, o grupo sofre por conta das especulações críticas desde o lançamento do seu primeiro álbum, quando acreditava-se que o Cribs figuraria com destaque ao lado de bandas com o The Strokes e o Libertines. Apesar de uma estréia interessante, e posteriormente contar com a presença do mítico guitarrista Johnny Marr em sua formação, o grupo não conseguiu manter a simpatia de críticos e ouvintes com o lançamento de novos trabalhos. In the Belly of the Brazen Bull, a nova aposta da banda, continua a investir em uma sonoridade crua e juvenil, com momentos isolados agradáveis, como nas canções “Come On, Be a No-One” e “Chi-Town”, que apesar do brilho individual não possuem força suficiente para salvar a banda da total irrelevância.

>> Marilyn Manson – Born Villain

O vilão musical da América está de volta. Com o lançamento de Born Villain, o polêmico Marilyn Manson investe no retorno do músico Twiggy Ramirez, e no resgate do prestígio musical dos velhos tempos. Manson tem amargado a diminuição gradual de sua exposição desde 2003, com o lançamento do álbum The Golden Age Of Grotesque, um trabalho irregular sem o mesmo poder de impacto dos álbuns anteriores. Em Born Villain, o anticristo-pop volta a desenvolver texturas eletrônicas marcadas por sintetizadores e guitarras industriais, acompanhadas de letras sarcásticas para a alegria de seus fãs. Destaque para as canções “The Gardener”, “Slo-Mo-Tion” e “No Reflection”.

>> The Dandy Warhols – This Machine

Banda americana de Portland, o The Dandy Warhols volta ao mercado com This Machine, seu novo e provável melhor trabalho. O grupo surpreende com experimentações ousadas, consolidando um amadurecimento musical com referencias de Velvet Underground, Stooges e Ride. Sem dúvida um dos melhores (e talvez mais ignorados) álbuns do ano. Destaque para as canções “Sad Vacation”, “The Autumn Carnival” e “Enjoy Yourself”.

Para conferir a nossa análise detalhada sobre o álbum This Machine, acesse aqui.

>> The Walkmen – Heaven

Sucessor de Lisbon, a melancolia presente em Heaven é carregada de questionamentos e reflexões de uma banda amadurecida. A sonoridade do grupo perde peso e distorção, para ganhar a beleza de harmonias acústicas e vocais impressionantes. Um dos melhores trabalhos de toda a carreira do Walkmen, e sem dúvida um dos meus álbuns favoritos deste ano. É certa a sua presença na lista dos melhores do ano. Destaque para as incríveis canções “We Can’t Be Beat”, “Heartbreaker” e “Nightingales”.

>> Santigold – Master of My Make-Believe

Após uma estréia surpreendente, com indiscutível sucesso de público e crítica em 2008, a americana Santi White apresenta Master of My Make-Believe, seu segundo e mais ambicioso trabalho. Marcado por uma excessiva produção sonora, o novo álbum perde a espontaneidade honesta de sua elogiada variação de gêneros, e se transforma em um experimento plástico pop, com poucos momentos inspirados. Apesar de apresentar pérolas como “Disparate Youth”, “Freak Like Me” e “Big Mouth”, o novo trabalho de Santigold infelizmente sofre por soar apenas como uma variação apática de seu grandioso trabalho de estréia.

>> Hot Chip – In Our Heads

Maduro e consistente, o novo trabalho do grupo Hot Chip não desanima mesmo quando arrisca construções harmônicas desaceleradas, como em “Look At Where We Are” e “These Chains”. Com cinco celebrados álbuns lançados, o Hot Chip é responsável por estabelecer parte do cenário eletrônico deste novo século. Com o lançamento de In Our Heads, o grupo consolida a sua importância musical, mesmo arriscando experimentalismos como em “Let Me Be Him”. Mas não há dúvidas quanto aos pontos altos deste novo trabalho, presentes no balanço de canções como “Motion Sickness”, “Don’t Deny Your Heart” e “Night and Day”, pequenas obras primas eletrônicas prontas para dominar seus passos de dança.

>> Light Asylum – Light Asylum

Shannon Funchess é a jovem voz formada no Brooklyn, responsável pela metade hipnótica do duo Light Asylum. Sua performance é visceral e feroz, uma encarnação apocalíptica de Grace Jones possuída pela sensibilidade de Ian Curtis. Uma das raras recomendações de 2012 sem qualquer contra-indicação. Sem dúvida a mais instigante e deliciosa estréia deste ano. Destaque para as canções “A Certain Person”, “End of Days”, “Heart of Dust” e “Shallow Tears”.

Para conferir a nossa matéria detalhada sobre o duo Light Asylum, acesse aqui.

MESS_TAPE 20 6 MESES DE MÚSICA – PARTE 1

Para celebrar a nossa retrospectiva precoce, selecionamos uma canção de destaque para cada álbum comentado, em uma MESS_TAPE especial e imperdível. Aumente o volume, aperte o play e aproveite!

Caso você não esteja visualizando o player, basta atualizar a página novamente.

E AS NOVAS MÚSICAS DO BLUR?

Quando eu penso no Blur, eu gosto de pensar em composições de classe como “The Universal”, “To The End” ou “Tender”. Claro que a banda também possui singles marcantes e divertidos, como “Parklife”, “Song 2” ou “Charmless Man”, que na minha opinião são pequenas obras primas britânicas, frutos da inconfundível guitarra do genial Grahan Coxon.

Dessa forma todo novo trabalho do Blur gera expectativa e ansiedade positiva. Regra quase universal.

Essa semana, quando o grupo anunciou oficialmente o seu retorno, reservei um momento exclusivo para degustar e digerir a apresentação de duas músicas inéditas da banda, transmitidas ao vivo via Twitter. Uma decepção colossal.

O Blur desaprendeu? Envelheceu? Diminuiu?

Os fãs histéricos sempre serão histéricos, e nada irá diminuir o seu amor pela banda. Fato. Mas justiça seja feita, é preciso reconhecer que “Under The Westway” e “The Puritan” são composições fracas, preguiçosas e recicladas. Um demérito para uma banda de vanguarda como o Blur e sua quase intocável discografia iluminada.

Ainda é óbvio que o retorno do grupo é bem vindo, e suas apresentações serão disputadas e concorridas, mas acredito que poucos serão aqueles que estarão de fato interessados no novo Blur, o medíocre e desinteressante novo Blur.

No seu retorno, o que mais me impressionou no novo Blur, foi o fato do baterista Dave Rowntree ter envelhecido visivelmente frente aos demais membros da banda. Confira agora as duas novas músicas do grupo britânico em performances ao vivo, e tenha suas próprias conclusões.