Archive | agosto 2012

SEXTA-FEIRA! QUAL É A BOA?

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#RIP MALCOLM WILDE BROWNE

Morreu nesta segunda-feira devido à complicações causadas pelo mal de Parkinson, o fotógrafo e jornalista norte-americano Malcolm Wilde Browne, aos 81 anos de idade. Sua mais famosa foto, ganhadora do prêmio Pulitzer em 1963, mostra o monge budista Thích Quang Dúrc se auto imolando, em protesto contra a administração do então presidente do Vietnã do Sul, Ngô Dinh Diêm, que era apoiado pelos EUA e oprimia a religião budista. O ato fez com que o então presidente dos EUA, John F. Kennedy, reconsiderasse a atuação norte-americana no país, que se intensificou após sua morte.

A famosa foto de Browne ilustra a capa do primeiro disco (homônimo) da banda Rage Against The Machine,  lançado em 1992, assim como também está presente no encarte do primeiro álbum da banda punk californiana Dead Kennedys, o politizado “Fresh Fruit For Rotting Vegetables”,  lançado em 1980.

A FANTASIA IMORTAL DE ALBERT LAMORISSE

No final da década de quarenta, o fotógrafo francês Albert Lamorisse iniciou a sua carreira cinematográfica ao roteirizar, produzir e dirigir, uma série de curtas e médias metragens infantis, conquistando uma admirável reputação internacional graças à qualidade poética presente em suas obras ficcionais.

Suas três principais obras lançadas entre 1950 e 1960, “Le Cheval Sauvage”, “Le Ballon Rouge” e “Le Voyage en Ballon”, alcançaram um expressivo sucesso de crítica e público, conquistando o respeitável Palme d’Or no festival de Cannes (prêmio máximo do festival francês), e um curioso Oscar de Melhor Roteiro Original por “Le Ballon Rouge”, uma obra poética fantástica, que possui apenas um único e breve diálogo.

Lamorisse faleceu tragicamente no início da década de setenta, em um acidente aéreo ocorrido durante a gravação do documentário “Le Vent Des Amoureux”. Um deslumbrante registro cinematográfico sobre Irã, que posteriormente editado conforme suas anotações particulares foi merecidamente nomeado ao Oscar de Melhor Documentário em 1979.

Muitos desconhecem, mas Lamorisse também é o responsável pela invenção de Risk, um dos mais famosos jogos de tabuleiro e estratégia produzido pela Parker Brothers, inicialmente lançado em 1957 como “La Conquête du Monde” (A Conquista do Mundo), na França.

Confira agora a elegância poética de “Le Ballon Rouge”, uma de suas obras de maior sucesso, lançado em 1956.

A NOTÁVEL ACESSIBILIDADE CINEMATOGRÁFICA BELGA

Erroneamente o filme Hasta La Vista é considerado uma comédia juvenil descartável, quando na realidade trata-se de um drama delicado, pontuado por um fino humor ácido e completamente distante da débil industrialização comercial norte-americana.

O drama belga dirigido por Geoffrey Enthoven acompanha a curiosa cruzada existencial de três inseparáveis amigos, que juntos decidem abandonar o conforto de suas casas na Bélgica, para aventurar-se em uma viagem rumo a um bordel espanhol. Antes de permitir-se julgar a sinopse limitada de Hasta La Vista, atente-se ao detalhe comum aos três protagonistas dessa rara obra belga, pois todos os personagens principais são virgens e possuem alguma deficiência física.

O roteiro de Pierre De Clercq constrói personagens interessantíssimos, acompanhando a confrontação de anseios juvenis comuns, frente à limitação física de um adulto cego e uma dupla de adolescentes audaciosos, formada por um tetraplégico destemido e um simpático paraplégico portador de câncer.

O incomum e exuberante roteiro destaca-se graças a excelente performance convincente dos atores Robrecht Vanden Thoren, Tom Audenaert e Gilles De Schrijver, que surpreendentemente não possuem qualquer deficiência física na vida real.

A complicada abordagem sobre a limitação física é realizada com delicadeza, sem permitir a fragilização exagerada de seus personagens ou ridicularizando vulgarmente a sua condição física. Hasta La Vista é um raro exemplo de equilíbrio conceitual agradável, marcado por um delicioso roteiro equilibrado e performances acima da média.

Uma emocionante e impactante história de amizade, superação e pré-conceitos.

A HISTERIA EXPLOSIVA E CONTAGIANTE DO GRUPO DEAD SARA

Um nocaute. Creio que essa seja a única forma possível de descrever o meu primeiro contato, com o hard rock explosivo do grupo californiano Dead Sara. A voz de Emily Armstrong é assustadoramente poderosa, mas vertiginosamente dedicada às reverberações e distorções de guitarras exageradamente altas, presentes no primeiro álbum homônimo, lançado pelo grupo este ano. Esqueça a qualquer concepção de fragilidade feminina, pois no que depender da eletricidade dilacerante da voz de Emily Armstrong, o hard rock será preservado para sempre.

E é graças à arrebatadora voz de Emily, que as composições universitárias do Dead Sara se sobressaem entre uma incontável quantidade de bandas assombradas pelo poder hipnotizante da distorção corrosiva. A influência clássica está presente através de referenciais óbvios, resgatados graças ao peso atmosférico presente em suas harmonias cruas, um conjunto de fragmentos sonoros derivativos de nomes como o Black Sabbath, o Led Zeppelin e o Deep Purple. Mas talvez seja por meio da densidade sombria do falecido (?) grunge, e o seu desesperado grito histérico juvenil, que o quarteto de Los Angeles cresce e converte novos fãs.

De qualquer forma, é inegável o prazer presente em canções como a progressiva faixa de abertura “Whispers & Ashes”, o colossal e agressivo single “Weatherman”, a sutileza espectral de “Dear Love”, e destaque para o (talvez) mais agressivo, emotivo e cativante grito expressivo registrado este ano, presente na espetacular “Face To Face”. Sem dúvida, o Dead Sara prova-se uma banda perfeita para uma audiência carente e nostálgica, faminta por distorção ensurdecedora e histeria vocal primata.

Paralelo a todos os pontos dissecados, é preciso também destacar a sensacional guitarrista Siouxsie Medley, que ao lado de Emily Armstrong compõe o núcleo feminino do Dead Sara. Siouxsie provavelmente não sabe, mas ostenta um dos melhores nomes artísticos já revelados nos últimos tempos. Salve Emily Armstrong e suas camisetas de flanela. Salve o hard rock.

HUMOR POLITIZADO

E aproveitando o início do horário político eleitoral, o coletivo de humor on-line Porta dos Fundos, promove o imperdível quadro Superávit. Uma ácida reflexão bem humorada sobre a deplorável concepção intelectual de muitos candidatos em eleição. Confira!

#OBRIGADO

Estou feliz!

Em incríveis sete meses de vida, finalmente celebramos a nossa centésima atualização. Surpreendentemente conquistamos mais de 5.300 acessos neste período, com apenas 3 míseras atualizações semanais.

Estou orgulhoso deste memorável resultado. Agradeço pela sua inestimável companhia e exagerada paciência paternal com o nosso universo gástrico. Muito, muito obrigado!

Espero que continuem acompanhando a nossa construção equivocada de opiniões contrárias, acessando o nosso peculiar universo difamatório, e curtindo a nossa tímida sociabilização existencial no Facebook.

E agora é necessário uma música para celebração.

A BELEZA SILENCIOSA DE COEXIST, O NOVO ÁLBUM DO THE XX

Muito aguardado por todos que dividiram o prazer de emocionar-se com o impactante e homônimo primeiro álbum, lançado no distante ano de 2009, o trio britânico The xx retoma seu lugar de destaque no provável crepúsculo musical desta nova (e quase irrelevante) década.

Todos os seus elementos fundamentais continuam presentes em Coexist, uma obra atemporal, cuja beleza sussurrante está inserida em harmonias de delicadeza microscópica. As vozes de Romy Madley Croft e Oliver Sim, continuam dividindo a mesma atmosfera flutuante surreal, pontuada por uma estrutura incontínua de uma atrevida linha de baixo econômica, inserida em um constante eco hipnotizante.

A beleza presente em canções como “Angels”, “Chained”, “Sunset”, “Missing” e “Our Song”, deve validar Coexist como um dos melhores álbuns do ano. O provável culto ao silêncio harmônico promovido pelo The xx deve merecidamente se multiplicar por todo o mundo. E os milhões de casais ouvintes, em perfeita união ou constante atrito, devem se entregar a beleza das harmonias tristes de uma das melhores bandas da atualidade.

O RETORNO DESENCONTRADO DO BLOC PARTY

Depois de diversos conflitos internos, ofensas públicas e uma traumatizante separação anunciada, o quarteto britânico Bloc Party reencontrou-se novamente disposto a ignorar o tumultuoso passado, para juntos avançarem em direção à reconquista de um futuro incerto.

A falta de criatividade presente no título do novo álbum, estende-se por quase todas as canções presentes em Four, o óbvio quarto e novo trabalho lançado pelo quarteto inglês. Antes de qualquer impacto crítico, é preciso deixar claro que eu sou fã do Bloc Party.

Eu considero os álbuns Silent Alarm e A Weekend in the City, obras primas contemporâneas. Trabalhos dignos de presença na seleção dos melhores álbuns lançados na primeira década deste novo século. E o abismo entre os dois trabalhos é imenso. O que iniciou-se simplista, dançante e pontuado por influências óbvias como Joy Division e The Cure, no seminal Silent Alarm, ganhou corpo, velocidade e experimentação eletrônica em A Weekend in the City. O desencontro orgânico e eletrônico, exigiu dos ouvintes uma paciência adicional, com o lançamento de Intimacy, terceiro e menos elogiado álbum dos ingleses.

Em Four o experimentalismo eletrônico é mínimo, para a alegria de muitos fãs, e apesar da audição inicial remeter o novo álbum aos trabalhos iniciais, a celebração é adiada devido à falta de eficiência entre as canções. A impressão aparente sugere que o Bloc Party reuniu todo material disponível, e não aproveitável de sua fase inicial, e o que deveria ser celebrado como uma simpática coletânea de b-sides, fora tratado como o glorioso ressurgimento da fênix, excedendo em expectativa e decepcionando em resultado.

Apesar da confusa concepção causada pela errônea escolha de canções adversas, Four possui ótimos momentos individuais.  Canções como a deliciosa e dançante “Octopus”, “Real Talk”, “Day Four”, “V.A.L.I.S” e “Truth”, indicam que apesar de exagerado e desencontrado, o retorno do Bloc Party ainda pode e deve ser comemorado.

HUMOR ON DEMAND

O diretor Ian SBF, dono da produtora de vídeos Anões em Chamas (responsável pela série on-line “CSI Nova Iguaçu”); juntou-se a Gregório Duvivier, Fabio Porchat, João Vicente e Antonio Tabet, fundador do site Kibe Loco (referência de humor na internet brasileira), para criar um novo canal de humor on-line, o Porta dos Fundos.

Confira um dos quadros do programa, o fantástico Fast Food, e a íntegra do primeiro episódio de 15 minutos.

NOVOS TEMPOS, NOVOS NOMES

Direto e objetivo. Selecionamos 18 nomes promissores (e alguns coringas já celebrados), para compor a vigésima quinta edição de MESS_TAPE. São 18 diferentes propostas espetaculares, dispostos a entretê-lo pela próxima hora em volume máximo. Aproveite.

MESS_TAPE 025 – Nuevo Tiempo

  • Lovedrug – Dinosaur
  • Rich Aucoin – It
  • Sick of Sarah – Giving Up
  • The Great Wilderness – Dark Horse
  • Bloody Beach – Gonzo Blues
  • Ladyhawke – Professional Suicide
  • WhoMadeWho – Inside World
  • Krista Muir – Concrete Lovesong
  • Dry The River – Weights & Measures
  • Melody’s Echo Chamber – Endless Shore
  • Stalley – Go On
  • Pussy Riot – Putin Lights Up the Fires
  • Kate Nash – Under-Estimate The Girl
  • The Touch – Sermon
  • VHS or Beta – Breaking Bones
  • Team Me – Show Me
  • Astro – Ciervos
  • Blondfire – Where The Kids Are