Archive | outubro 2012

SUBLIMINAR

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CONTROVERSO & COMERCIAL

Pichação é arte? Eu não me atrevo a responder, mas a Puma aproveita a oportunidade para realizar mais uma controversa publicidade urbana. E você, o que acha?

O REBOOT AGRADÁVEL DO ESPETACULAR ARACNÍDEO

Depois de muito tempo ignorando, eu finalmente decidi assistir ao mais recente filme do super-herói mais sem graça do universo. Gosto é algo complicado de se discutir, portanto não se desespere quando perceber que trata-se de um dos mais populares super-heróis de todos os tempos, o espetacular Homem-Aranha.

Não desanime. Eu sei que considerando apenas o universo das historias em quadrinhos, o introspectivo e atrapalhado Peter Parker possui um dos melhores enredos em todos os tempos, mas é inegável que a sua trilogia cinematográfica inicial, sob os cuidados do exageradamente insuportável Sam Raimi, é uma tristeza.

Raimi transformou o herói problemático em uma variação débil do exagerado patriotismo americano. Tudo no universo de Raimi é exagerado, estupidamente plástico e digno do universo Cartoon Network. E se você considerar que Tobey Maguire, um dos atores mais limitados da história do cinema, é o responsável pelo papel principal da trama aracnídea, o drama não possui fim. Catástrofe. Desespero. Revolta.

Tragédia?

Não posso afirmar que a trilogia de Raimi trata-se de uma tragédia completa, pois independente de sua (falta de) qualidade artística, a obra é (inacreditavelmente) uma das maiores bilheterias da história do cinema. Qual é a explicação? Existe? Provavelmente o mérito financeiro deve-se à devoção dos fãs (acredito), ou talvez qualquer outro motivo que neste momento eu não seja capaz de imaginar. De qualquer forma, o Homem-Aranha de Raimi & Maguire merecem respeito.

Quando foi anunciado o reboot precoce da trilogia aracnídea, muitos desconfiaram do real motivo envolvido, mas na minha distorcida percepção tudo estava muito claro. O estúdio responsável pela produção dos filmes sempre soube da precariedade técnica e artística de Raimi. Os fãs obcecados nunca digeriram com satisfação o Peter Parker sonso de Maguire, e se mesmo assim o resultado foi um lucro extraordinário, imagine reiniciar a série corrigindo as principais críticas? Lucro estratosférico? Talvez.

Para o (fácil) desafio de superar tecnicamente e artisticamente Raimi, o jovem diretor Marc Webb foi anunciado com desconfiança, pois poucos acreditavam que o reboot precoce da trilogia aracnídea superaria o gigantismo do resultado financeiro anterior. Webb é o responsável pelo simpático romance independente 500 Dias com Ela, um filme adverso à qualquer indício de ação e uniformes ultra coloridos. Respeitado pela crítica e fascinado com ambiciosa indústria de blockbusters hollywoodianos, Webb aceitou o desafio.

O resultado é honesto. Sem dúvida o herói aracnídeo de Webb supera qualquer expressão plástica de Maguire na trilogia de Raimi, mas apesar do resultado crítico positivo, o novo Peter Parker de Webb, interpretado pelo antipático Andrew Garfield, ainda não convence. Falta ao novato a simpatia e sincronia que se espera do personagem mais famoso de Stan Lee. Apesar dos pesares, o reinicio da série é agradável, sustenta uma garantida continuação e acerta na escolha de Emma Stone como a deliciosa Gwen Stacy. Todos agradecem.

Agora resta-me apenas transferir o título de super-herói mais sem graça do universo ao trágico Lanterna Verde. Este não possui salvação.

E OS 3 MELHORES SHOWS DO PLANETA TERRA 2012 FORAM…

Em ordem de importância, sem dúvida. Perdeu algum?

 

SYLVIA KRISTEL #RIP

Eterna Emmanuelle.

O MELHOR VÍDEO CLIPE DO ANO

O nonsense histérico do grupo Die Antwoord continua a impressionar quem estiver distraído. O vídeo de “Fatty Boom Boom” dispensa acréscimos econômicos, uma vez que a produção “hip-hop/rave” do trio sul-africano explora diferentes texturas visuais dilacerantes, retratando em uma impressionante dissecação ácida, a plástica diva pop Lady Gaga. A caricatura de Gaga diverte, pois retrata a excêntrica princesa pop como uma vítima de sua própria estupidez e pretensão no universo espetacular do Die Antwoord.

O grupo sul-africano atualmente divulga o álbum Ten$Ion, lançado no início do ano, cujo vídeo de “Fatty Boom Boom” acaba de ser eleito (por nós), o melhor vídeo clipe de 2012.

E para quem ainda não está familiarizado com a insanidade promovida pelo Die Antwoord, selecionamos também os vídeos de “I Fink U Freeky” e “Baby’s On Fire”, dois singles anteriores à “Fatty Boom Boom”, também  presentes no espetacular e imperdível Ten$Ion.

SAUDADE NÃO MATA, MAS TORTURA

Ultimamente eu me sinto pequeno. Quando estamos próximos de embarcar em uma longa viagem, provavelmente refletimos sobre o que estamos deixando para trás. Nada é permanente, obviamente, e o novo reserva a surpresa do que pode ser incrível (com certeza), mas é inegável o que vivemos. É inegável esquecer os suspiros, os beijos, os sorrisos e tudo o dividimos ou aproveitamos sozinhos enquanto estivemos por aqui. A saudade é grande demais para o quanto eu me sinto pequeno, mas sabemos que não podemos recuar, e o melhor é sempre seguir em frente.

A nova edição de MESS_TAPE aborda a saudade, a nostalgia tortuosa que sofremos quando nos distanciamos ou simplesmente seguimos em frente, de qualquer forma, selecionei as canções que me fazem lembrar de vocês, todos vocês. Boa viagem.

Aumente o volume, aperte o play e aproveite o momento!

MESS_TAPE 029 – O Que Eu Escuto para Lembrar de Você

  • Band of Horses – Knock Knock
  • Mumford & Sons – Holland Road
  • Jack White – Never Far Away
  • Black Seeds – One by One
  • Chocolate Genius – Life
  • Coldplay – Major Minus
  • Placebo – B3
  • Kasabian – Goodbye Kiss
  • Muse – Madness
  • Divine Fits – What Gets You Alone
  • Otto – Ela Falava
  • Tulipa Ruiz – Expectativa
  • The Drums – Days
  • The Killers – The Way It Was
  • The Smashing Pumpkins – Smiley (Gish Sessions Demo)
  • Doves – Andalucia (Acoustic)

DE PERTO NINGUÉM É BONITO!

O impressionante close-up de olho humano por Suren Manvelyan.

A BOA E VELHA FORMA DO PLACEBO RETORNA

O trio inglês Placebo retoma as atividades com o lançamento de um novo EP, o primeiro lançamento de músicas inéditas desde o álbum Battle For The Sun, lançado em 2009.

Em B3 o grupo retoma a velha e boa forma apresentada em seus dois álbuns seminais, o homônimo Placebo lançado em 1996 e Without You I’m Nothing, a obra prima lançada em 1998.

Com pouco menos de meia hora de duração, o novo trabalho antecede uma tendência nostálgica e menos experimental do trio inglês, para a felicidade incondicional dos fãs, com destaque para as canções “I Know You Want To Stop”, “The Extra”, “Time Is Money” e a homônima “B3”, uma típica lamúria ácida e estridente de Brian Molko, cujo novo vídeo clipe você confere abaixo.

A MÚSICA NOVA DOS ROLLING STONES

No ano da comemoração de seus 50 anos os Rolling Stones promovem o lançamento da coletânea Grrr! Greatest Hits, apresentando duas inéditas canções para a alegria dos fãs.

“Doom and Gloom” foi gravado em Paris pelo produtor Don Was e marca a primeira vez que Mick Jagger, Keith Richards, Charlie Watts e Ronnie Wood estiveram juntos no estúdio nos últimos sete anos.

As primeiras críticas em relação à música foram divergentes. “A sabedoria conhecida da indústria musical afirma que o novo Rolling Stones existe apenas para vender álbuns de compilações ou ingressos para turnês”, escreveu Dan Silver, no tabloide Mirror. “É com algum alívio que contamos que é realmente muito bom”, acrescentou, ao dar três estrelas, de um total de cinco.

Neil McCormick, do Daily Telegraph, também deu três estrelas a “Doom and Gloom”, dizendo que era um “trabalho de continuidade” da banda e fazendo comparações entre a música e o “rock de porão” do aclamado álbum de 1972 do Rolling Stones, Exile on Main Street.

A revista de música “NME” chamou “Doom and Gloom” de um “‘Gimme Shelter” para a geração Wii. “A nova música dos Stones… é um lembrete de revitalização do que os tornou grandes em primeiro lugar, uma música que vai se encaixar perfeitamente entre os seus clássicos”, concluiu.

Com lançamento previsto para novembro, “Doom and Gloom” é o primeiro single inédito lançado pelo grupo desde 2006. O mundo agradece.

TRILHA SONORA PARA O SEGUNDO TURNO

Em São Paulo não será diferente de muitas outras capitais do país, onde o segundo turno já é um fato digerido, portanto prepare-se para deixar os sentimentos afastados e decidir com razão a direção do futuro próximo.

Quanto a trilha sonora não se preocupe, selecionamos um grupo especial para essa ocasião distinta. Afinal, em algum momento da vida todos nós conhecemos alguém que amamos e odiamos ao mesmo tempo, certo? Mas seja como for, uma decisão precisa ser tomada e um lado precisa ser escolhido, que vença sempre o melhor.

MESS_TAPE 028 – Todo Mundo tem Alguém que Ama e Odeia ao Mesmo Tempo

  • Foster The People – Waste
  • Alice Cooper – Clones (We’re All)
  • Foals – Miami
  • Bombay Bicycle Club – Evening/Morning
  • Cake – Short Skirt/Long Jacket
  • Jimmy Cliff – Cry No More
  • Josh Rouse – Marvin Gaye
  • Jamiroquai – Space Cowboy
  • Placebo – Passive Aggressive
  • The Rakes – Passive Aggressive
  • Pavement – Gold Soundz
  • New Order – Turn
  • Telekinesis – Country Lane
  • Incubus – Anna Molly
  • Feeder – High
  • Matt & Kim – Cameras
  • Interpol – Rest My Chemistry

10 SHOWS IMPERDÍVEIS DO LOLLAPALOOZA 2013

Graças a minha palidez crítica referente aos valores cobrados pela “justa” organização do festival Lollapalooza, dissecados severamente no início dessa semana desértica em uma publicação anterior, eu tenho observado uma curiosa reação dos que se atrevem a se manifestar.

Existem os fãs, que agradecidos pela oportunidade de assistir um show de seu ídolo, não se importam com o valor cobrado. E como todos os sábios sabem, com fã não se discute, fato.

Existem os temerosos, que agradecidos pela oferta de shows no Brasil – provavelmente devem erroneamente acreditar que seja uma caridade artística lucrar na América do Sul – não se incomodam com a graça alcançada, mesmo pagando caro pelo milagre.

Existem os elitistas nazistas, que não se importam com o preço pois acreditam que isso possibilita uma elitização do público presente, mesmo muitas vezes se esforçando sexualmente para obter um ingresso cortesia.

Existem os acomodados estúpidos, que pouco se importam com o valor desde que ele seja parcelado em cinquenta vezes. Eles acreditam que o Brasil é a terra da oportunidade, e assim paga quem quer ou puder, independente de qualquer “suspeita” de estarem sendo roubados pelo hype.

E existem os medíocres indignados, que assim como eu, desacreditam no valor cobrado e optam por protestarem publicamente, debatendo o que acreditam ser um abuso, mesmo sendo severamente ridicularizado por todos os demais ansiosos.

Entre muitas opiniões conflitantes e agressivas, um e-mail conquistou a minha atenção. Não tratava-se de uma crítica ofensiva, mas de uma simples dúvida. Seria eu capaz de ignorar por um momento qualquer polêmica entediante, e objetivamente destacar quais serão os 10 shows imperdíveis entre as 60 atrações anunciadas?

Sem dúvida!

Independentemente de valores abusivos, selecionei abaixo o que acredito ser os 10 imperdíveis shows do festival Lollapalooza. O critério é simples e indiscutível: opinião pessoal.

E você, sabe dizer exatamente quais serão os 10 shows imperdíveis do Lollapalooza 2013?

10) The Temper Trap

Quando eu mais escuto músicas como “Sweet Disposition”, “Fader”, “Love Lost” e “Trembling Hands”, mais certeza eu tenho em relação a plenitude espiritual presente no imperdível Temper Trap.

 

9) Foals

A eletricidade sonora do Foals resulta em satisfação garantida e incríveis passos de dança.

 

8) Alabama Shakes

Uma das melhores novidades do ano, responsáveis por um dos melhores álbuns do ano.

 

7) Passion Pit

Elegantes, divertidos e despretensiosamente geniais.

 

6) Cake

Não existe devoção hipster/indie maior do que ser declaradamente um fã do Cake.

 

5) A Perfect Circle

É complicado descrever o atrevimento histérico promovido pela agressividade criativa do grupo, mas sem dúvida trata-se de um show imperdível.

 

4) Flaming Lips

Não trata-se apenas um de simples show, trata-se de um grande espetáculo. Sempre.

 

3) The Killers

Você irá negar que se diverte ao som de “Mr. Brightside”, “Somebody Told Me”, “All These Things That I’ve Done” e “For Reasons Unknown”, para citar apenas alguns exemplos?

 

2) Queens Of The Stone Age

É necessário explicar?

 

1) Pearl Jam

Simples: Eddie Vedder.

PARA NOS SALVAR DO TÉDIO

Em São Paulo o clima continua a variar entre o inverno absoluto e o verão desértico para o desespero de milhares de pessoas preocupadas com o próximo feriado. A cidade queima, consome, corrompe e destrói. A rotina pesada desanima casais apaixonados e inspira traições sem sentidos, em uma constante e acidentada estrada sem fim.

Para nós salvar do tédio e das constantes variações de humor, clima e disponibilidade financeira, selecionamos dezessete incríveis canções para elevar o seu espírito. A seleção obedece a desordem imprevisível do maior centro urbano do país, intercalando o soul religioso de Tim Maia, o atrevimento glam de David Bowie, a elegância eletrônica do Air e o doentio compasso sexual de Marilyn Manson. Você não acreditar, mas assim como a cidade de São Paulo, a nova e absurda edição de MESS_TAPE funciona perfeitamente.

Portanto aumente o volume, delicie-se com uma hora de boa música (preferencialmente) no volume máximo.

MESS_TAPE 027 – Para nos Salvar do Tédio

  • Tim Maia – Over Again
  • Tulipa Ruiz – É
  • Sleepy Sun – Rigamaroo
  • John Butler Trio – I’d Do Anything (Soldiers Lament)
  • David Bowie – Queen Bitch
  • Air – Surfing On A Rocket – Joakim Mix
  • The Temper Trap – Love Lost
  • The Smashing Pumpkins – Glynis [2012 Mix]
  • Grouplove – Colours
  • The xx – Sunset
  • Titãs – Pra Você Ficar
  • The Blue Van – Lay Me Down And Die
  • Gretchen Parlato – All That I Can Say
  • Sebadoh – Willing To Wait
  • Mariana Aydar – Galope Rasante
  • Marilyn Manson – Born Villain
  • Camboja – The Shiny Radio In A Blind Man’s Wallet

SEREMOS ESTUPRADOS PELO LOLLAPALOOZA 2013?

Hoje o festival Lollapalooza divulgou as 60 atrações que irão participar da sua próxima edição, prevista para ser realizada nos dias 29, 30 e 31 de março de 2013, no inexpressivo Jockey Club em São Paulo.

A reação observada após a divulgação das atrações foi quase unanime, celebrando positivamente o line-up estrelado e lamentando o abusivo valor do ingresso divulgado.

A capacidade de 70 mil pagantes por dia deve ser facilmente alcançada, e eu sinceramente acredito que o festival esgote os 210 mil ingressos disponíveis em menos de 5 dias após o início das vendas, prevista para iniciar hoje, a partir da meia noite, no site ShowCard.

Para participar dos três diferentes dias do evento será necessário um expressivo esforço financeiro e compressivo dos fãs. Quem atrever-se a comprar o LollaPass (que permite o ingresso em todos os dias do festival), deverá desembolsar agressivos 900 reais pelo privilégio de participar, sem ignorar os 180 reais cobrados graças aos 20% (sobre o valor do ingresso) da inexplicável taxa de conveniência, e os prováveis 50 reais referentes à entrega do ticket dourado. No pior cenário especulativo, a entrega poderá alcançar o custo de 10% do valor do ingresso, justificado graças à utilização de helicópteros, acredito. Aliviado? Se você acredita que esse é o fim do estupro financeiro cometido pelo sádico Lollapalooza atente-se, pois ninguém atreve-se a cogitar os valores destinados ao transporte e a alimentação necessários durante os três dias do festival.

Surpresa? Nenhuma. Ou seria essa a primeira vez que você se assusta com o abusivo valor cobrado por um ingresso no Brasil?

A crítica é válida, neste caso sempre válida (apesar de repetitiva), afinal, até quando iremos nos sujeitar? Eu não sou e sequer devo ser credenciado para realizar a “cobertura” do “magnífico” festival, e caso fosse, talvez eu arriscasse ludibriar o maior número de leitores destacando as grandes e “imperdíveis” atrações do “incrível” festival, sempre ignorando as eventuais críticas de algum leitor sensato, e procurando abafar qualquer polêmica populista através do sorteio de ingressos. Talvez.

Por fim creio que a questão coringa em relação aos valores cobrados pelo Lollapalooza é: O que você faria com 1170 reais em três dias? Vamos acreditar que para os três dias uma pessoa comum gaste 200 reais com alimentação e transporte, para repetidamente reforçar a pergunta de ouro: O que você faria/pagaria com 1370 reais em três dias?

Minha conclusão é óbvia, o line-up é de fato atrativo e o preço cobrado pelo ingresso é ridículo. Não existe qualquer possibilidade de diálogo sobre “meia-entrada prejudicial” que justifique a ambição de reunir 210 mil consumidores emocionados, dispostos a gastar especulativos 1370 reais por três dias de festival. Já se atreveu a multiplicar essa conta?

Eu não pago e nunca pagaria este valor para participar dos três incríveis dias do festival Lollapalooza.

Eu gostaria de sugerir aos revolucionários e inquietos, que promovam uma exibição gratuita de performances ao vivo de todas as atrações presentes no festival, disponíveis de graça em sites como o YouTube e muitos outros. Isso seria de fato o maior evento do ano. Certeza.