Archive | janeiro 2013

NOS BASTIDORES DE UM CLÁSSICO ABSOLUTO

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O filme Psicose é sem dúvida uma obra prima absoluta e um marco na história do mestre Hitchcock. Sua produção é igualmente audaciosa e surpreendente, desafiando a aprovação do estúdio Paramount frente a um projeto perturbador, baseado em uma série de crimes reais.

Inspirado na obra biográfica de Stephen Rebello, a tradução cinematográfica do diretor Sacha Gervasi resulta em um trabalho elegante e exageradamente simpático, considerando a encarnação caricata de Hitchcock por Hopkins, e contemplando a excepcional interpretação de Helen Mirren e Scarlett Johansson em atuações exemplares.

Determinado e hipnotizado pela trama de Psicose, Alfred Hitchcock desenvolve uma trama única e desafiadora para o pudor de sua época, reunindo atuações exemplares e se responsabilizando pelos custos e riscos de sua nova ambição cinematográfica.

A contemplação do diretor Gervasi disseca os bastidores de uma das maiores obras-primas da história do cinema, respeitosamente registrando a acidez perfeccionista e excêntrica do mestre Hitchcock, pontuado pela sua lacônica obsessão por potenciais divas hollywoodianas, e uma desconfortável desconfiança de infidelidade que afetavam o seu casamento na época.

Sem dúvida um registro obrigatório para os fãs de cinema, em um excepcional registro fascinante de um dos mais desafiadores bastidores do cinema. Recomendo.

A GUERRA PELO LINE-UP PERFEITO

Com a divulgação do poster oficial de suas atrações para a edição de 2013, os festivais Primavera Sound e Coachella disputam oficialmente o título de melhor festival do ano. Basta agora decidir qual é o seu favorito.

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RETORNANDO AO BÁSICO

Rapper Dizzee Rascal

O retorno do rapper britânico Dizzee Rascal é promissor. Enquanto aguardamos o lançamento do seu novo e aguardado álbum (sem qualquer previsão de lançamento), Dizzee dispõe de uma pequena amostra do que está produzindo com lançamento do seu mais novo e ambicioso projeto, o canal de “entretenimento on-line” DirteeTV.

Além de conferir uma galeria de vídeos clipes, bastidores, parcerias e artistas ligados ao universo Rascal, a DirteeTV  oferece gratuitamente o download de duas mixtapes curiosas, reunindo remixes e uma amostra do novo trabalho de Dizzee Rascal, que retoma a boa forma de seus anos iniciais na explosiva e viciante “Bassline Junkie”.

Acesse o site da DirteeTV para realizar gratuitamente o download  das mixtapes volume 1 e 2, e confira o delirante vídeo de “Bassline Junkie”, a nova obra-prima de Dizzee Rascal.

O DECLÍNIO DE TARANTINO

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É complicado desgostar de alguém como Tarantino. Todos os seus projetos são fiéis a uma religiosidade cinematográfica única, marcada pela sua devoção cega (e repetitiva) ao que podemos nomear de “ultra violência trash”. O produto mantem-se fiel a uma série de regras básicas, o que torna tudo muito previsível, e extremamente entediante, mas quando trata-se de Tarantino a repetição ainda é (inexplicavelmente) um sinônimo de um sucesso imbatível, frente aos seus invejáveis resultados histéricos do público e a aclamação crítica.

O que esperar de um filme de Tarantino? Sinceramente, não espera-se muito.

Conhecido por suas infinitas referências cinematográficas, Tarantino não se presta ao trabalho de desafiar-se como um grande inovador, resguardando-se como um funcionário exemplar do que mais admira dentro do vasto universo da indústria do cinema. Suas obras são pequenas declarações de amor as suas paixões, seja o gênero trash ou o “faroeste spaghetti italiano”, abordado em sua mais recente obra, o superestimado “Django Livre”.

Antes de desafiar a ira de seus incontáveis fãs, é bom esclarecer que eu também admiro a obra de Tarantino (Cães de Aluguel e Pulp Fiction são obras primas recentes indiscutíveis), mas é preciso ser honesto quanto a “Django Livre”, pois sem dúvida trata-se do seu pior trabalho como diretor.

Do início ao fim “Django Livre” resume-se em uma caricatura pálida do que acredito que seja uma “homenagem” de Tarantino ao decrépito gênero “faroeste spaghetti”. O nome é um referencial a obra do diretor italiano Sergio Corbucci. Lançado originalmente em 1966, o faroeste italiano “Django” retratava a história de uma vingança sanguinária, cujo protagonista implacável, interpretado pelo ator Franco Nero, fora resgatado e inserido por Tarantino em sua releitura kitsch americana.

Não bastassem os referenciais à obra de Corbucci, Tarantino decidiu por resgatar todos os aspectos grosseiros de Sergio Leone, o mestre italiano do gênero “faroeste spaghetti”, conduzindo uma simples história de vingança por exaustivas duas horas e quarenta e cinco minutos de duração, exagerando desnecessariamente em tiroteios rudes e efeitos fadados as produções trash da década de sessenta, tudo milimetricamente pontuado por diálogos vazios descartáveis, vergonhosamente entrelaçados.

Se os referenciais estruturais e a produção trágica de “Django Livre” remetem apenas a uma proposital proposta de regaste e homenagem ao faroeste italiano sessentista, o resultado final resume-se em um descrédito na obra de uma dos mais aclamados diretores de sua geração. Tarantino erra mesmo esforçando-se em manter a sua inabalada e previsível fórmula, em seu recente faroeste pretensioso e descartável.

13 APOSTAS PARA 2013

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Sem qualquer dissecação gástrica e detalhada, decidi aproveitar-se do início de um novo ano para selecionar 13 nomes promissores no atual cenário do rock internacional. Muitos não possuem nada além de um único single divulgado, outros investiram sem sucesso em um trabalho ignorado pelo grande público nos últimos doze meses, mas acredite, todos possuem potencial para crescerem, brilharem e conquistar a sua atenção durante 2013.

No que depender das expectativas voltadas para os nomes selecionados abaixo, 2013 será um ano incrível para o rock. Quer apostar?

Embers – Tunnel Vision

Escapists – This Scene is Broken

Palma Violets – Best of Friends

Savagaes – City’s Full

Opossom – Blue Meanies

Wildlife Control – Analog Or Digital

Death At Sea – Drag

St Spirit – Pigeon

Terraplane Sun – Get Me Golden

Hallelujah The Hills – Get Me In A Room

We Were Evergreen – Baby Blue

Swim Deep – Honey

Local Hero – Piedmont Girls

TRADIÇÃO FAMILIAR

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Eu não sei exatamente como isso funciona, mas o novo duo/banda Wardell (ridiculamente novo, o grupo sequer possui um ano de existência), tem conquistado a atenção da mídia e do público tendo apenas uma única música disponibilizada on-line, a doce e promissora “Opossum”.

O grupo formado em Los Angeles é liderado por uma dupla improvável de “irmãos”, pois Theo, o principal guitarrista e compositor  do grupo é negro, enquanto Sasha S, sua “irmã”, é uma versátil vocalista branca (?!).

Seja o que for, marketing ou miscigenação familiar, o trabalho do grupo influenciado por nomes como Beach House, Fleetwood Mac, Tennis, The Walkmen, Velvet Underground e Morning Benders (muitos nomes bacanas), já conquistou mais de 31 mil seguidores no site SoundCloud, uma proeza respeitável na era Facebook/Instagram.

Atualmente o grupo realiza pequenos e concorridos shows nos arredores de L.A. enquanto não disponibiliza seu álbum de estréia. Sem dúvida um nome promissor merecedor de toda atenção recebida.

QUEM NÃO IRÁ AMAR O DEAP VALLY?

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Uma dupla feminina formada por uma loira hipnótica e uma ruiva explosiva. Uma combinação brutal de garage rock e blues digno o suficiente para fazer frente ao mainstream ensolarado de duplas planetárias, como o White Stripes e o Black Keys. E sexy, tudo o que o duo Deap Vally faz é sexy.

Com apenas um single disponível, o arrebatador “Gonna Make My Own Money”, o duo de Los Angeles já coleciona fãs na Europa e nos Estados Unidos. O primeiro e esperado álbum deve ser disponibilizado pela Island Records ainda no primeiro semestre de 2013.

Será que o mundo está preparado para mais uma dupla rock’n’roll? Eu estou!

UM LEVE DESPERTAR

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Quem conhece Melanie Lynskey por conta de sua participação cômica – brilhantemente cômica, para registro – no universo sexista de Two and a Half Man, irá sem duvida se surpreender com sua vertente dramática em “Hello I Must Be Going”.

O filme do diretor Todd Louiso tem dividido a opinião do publico e agradado a crítica ao acompanhar a história da melancólica Amy Minsky, uma mulher devastada pelo término do seu casamento e abrigada temporariamente na casa de seus pais, enquanto reúne forças para se restabelecer novamente.

O calvário de Amy é sutilmente traduzido em inexatidões existenciais, sublimemente interpretado em Melanie Lynskey, que merecidamente integra agora, o grupo de atrizes que eu admiro e respeito. Muito.

Graças à insistência familiar, Amy é convencida a deixar o seu luto emocional e se relacionar com o universo ao seu redor, iniciando uma desventurada recuperação gradual de sua alegria ao conhecer Jeremy (interpretado por Christopher Abbott), um adolescente precoce e contraditório em relação a sua carreira profissional.

Enquanto Jeremy reluta em dar continuidade em sua carreira artística, Amy se esforça para reestabelecer o controle mínimo de sua rotina, quando inesperadamente os dois iniciam uma curiosa relação amorosa secreta. Repreendido pelos pais e socialmente mal interpretado como gay, Jeremy possui quase a metade da idade de Amy, mas revela-se uma peça fundamental na recuperação da nossa anti-heroína deprimida e desiludida.

Sem dúvida “Hello I Must Be Going” acerta ao retratar o recomeço emocional (no caso de Amy), e o despertar emocional (no caso de Jeremy), através de uma abordagem leve, realista e poética. Além de referenciar o mestre Groucho Marx utilizando um de seus atos musicais mais famosos como título, “Hello I Must Be Going” detém um primoroso casamento entre suas tomadas intencionalmente apáticas e sua trilha sonora sensível, que não deve ser ignorada.

Uma das mais agradáveis surpresas do último Festival de Sundance e uma pérola na carreira de Melanie Lynskey. Sem dúvida trata-se de um dos filmes “imperdíveis (e quase ignorados)” lançados em 2012.

NINGUÉM ME CURTE MAIS

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Eu estava no Facebook divulgando as novas atualizações de MESS_UP (quando acontecem, claro), e me deparei com a ferramenta de propaganda da comunidade on-line. O Facebook estava me oferecendo uma oportunidade de negócio para divulgar o meu site em sua rede, e assim garantir um aumento do número de pessoas que curtem, aprovam e recomendam o MESS_UP – que é algo que eu trato como um trabalhoso e delicioso passatempo.

A situação me pareceu surreal, pois de acordo com o Facebook É um bom negócio pagar PARA o Facebook divulgar a minha página DO Facebook NO Facebook, e assim garantir de forma INTELIGENTE um aumento da minha POPULARIDADE (número de pessoas que curtem) na rede – O Facebook.

O mundo é moderno e existem milhões de coisas que eu não entendo. Como pagar para o banco guardar o meu dinheiro com a promessa de um “rendimento”, o qual muitas vezes torna-se invisível mediante os gastos de sua manutenção (o que comprova a minha tola idéia de que o dinheiro possui um custo de vida, e ele provavelmente vive e se alimenta melhor do que eu), mas em contrapartida, quando eu suplicar por um empréstimo o banco certamente será o primeiro lugar a me recusar ajuda – algo fez sentido? Eu não sei, mas ainda tenho uma conta no banco.

Enfim, a popularidade no meu universo não será medida através do Facebook. Eu inclusive observo com ansiedade a próxima grande sensação on-line surgir (talvez a ferramenta Hangouts do Google+), e que sabe assim presenciar o declínio do império de Mark Zuckerberg, mas nada ainda posso afirmar.

Uma coisa eu sei, eu não vou pagar o Facebook anunciar no Facebook a minha página do Facebook para ser mais popular no Facebook, simplesmente por que isso não faz sentido. Até por que já existe uma ferramenta simples e gratuita para isso, localizada na barra lateral deste mesmo site/blog, onde qualquer mortal pode se unir ao meu universo gástrico simplesmente curtindo a minha página no – surpresa – Facebook!

Soa ridículo isso, curta a minha página no Facebook, mas se alguém faz dinheiro com isso, é necessário respeito. E Mark Zuckerberg faz muito dinheiro com isso, o banco sabe muito bem quanto.

O MÁGICO CLUBE DA LÂMINA DE BARBEAR

A propaganda é a alma do negócio, alguém disse, e de acordo com essa idéia – pague um valor mensal e deixe de se preocupar com a sua lâmina de barbear, pois ela será entregue mensalmente em sua casa – é tão assustadora (no futuro teremos que ser sócios de quantos “clubes” e “filiações”?), quanto engraçada (é sério que trata-se de um clube de lâmina de barbear?).

Na dúvida o comercial é sensacional e estupidamente engraçado, ao ponto de chamar a minha atenção e, quem sabe, a sua. O grande lance do marketing do futuro é transformar marcas em “clubes” e consumidores em “associados”. Assustador, não?

Se persistir alguma dúvida é sempre válido lembrar das sábias palavras do eterno Groucho Marx: “Eu não me interesso por um clube que me aceite como sócio.”

TODA ATENÇÃO MERECIDA

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Enquanto aguarda uma oportunidade melhor para se destacar no mercado americano, a magnética cantora/letrista nigeriana/francesa ASA (pronuncia-se ASHA), ganha o meu respeito com o seu assombroso soul minimalista com a canção “The Way I Feel”, uma joia a ser descoberta e saboreada com paciência e muita atenção.

Presente no seu álbum Beautiful Imperfection, lançado no longínquo ano de 2010 e apenas agora prontamente degustado no mercado americano, “The Way I Feel” renasce como single em 2012 com direito a um clipe tênue e simbólico.

E para os iniciantes em ASA, sugiro a imersão em duas pérolas de sua estupefata obra, o reggae cadenciado de “Fire on the Mountain”, a deliciosa leveza de “Why Can’t We” e o pop positivista de “Be My Man”.

E pensar que tudo isso aconteceu longe dos nossos olhos, quase que se perdendo de nossa atenção.