O DECLÍNIO DE TARANTINO

Django-Unchained-Poster

É complicado desgostar de alguém como Tarantino. Todos os seus projetos são fiéis a uma religiosidade cinematográfica única, marcada pela sua devoção cega (e repetitiva) ao que podemos nomear de “ultra violência trash”. O produto mantem-se fiel a uma série de regras básicas, o que torna tudo muito previsível, e extremamente entediante, mas quando trata-se de Tarantino a repetição ainda é (inexplicavelmente) um sinônimo de um sucesso imbatível, frente aos seus invejáveis resultados histéricos do público e a aclamação crítica.

O que esperar de um filme de Tarantino? Sinceramente, não espera-se muito.

Conhecido por suas infinitas referências cinematográficas, Tarantino não se presta ao trabalho de desafiar-se como um grande inovador, resguardando-se como um funcionário exemplar do que mais admira dentro do vasto universo da indústria do cinema. Suas obras são pequenas declarações de amor as suas paixões, seja o gênero trash ou o “faroeste spaghetti italiano”, abordado em sua mais recente obra, o superestimado “Django Livre”.

Antes de desafiar a ira de seus incontáveis fãs, é bom esclarecer que eu também admiro a obra de Tarantino (Cães de Aluguel e Pulp Fiction são obras primas recentes indiscutíveis), mas é preciso ser honesto quanto a “Django Livre”, pois sem dúvida trata-se do seu pior trabalho como diretor.

Do início ao fim “Django Livre” resume-se em uma caricatura pálida do que acredito que seja uma “homenagem” de Tarantino ao decrépito gênero “faroeste spaghetti”. O nome é um referencial a obra do diretor italiano Sergio Corbucci. Lançado originalmente em 1966, o faroeste italiano “Django” retratava a história de uma vingança sanguinária, cujo protagonista implacável, interpretado pelo ator Franco Nero, fora resgatado e inserido por Tarantino em sua releitura kitsch americana.

Não bastassem os referenciais à obra de Corbucci, Tarantino decidiu por resgatar todos os aspectos grosseiros de Sergio Leone, o mestre italiano do gênero “faroeste spaghetti”, conduzindo uma simples história de vingança por exaustivas duas horas e quarenta e cinco minutos de duração, exagerando desnecessariamente em tiroteios rudes e efeitos fadados as produções trash da década de sessenta, tudo milimetricamente pontuado por diálogos vazios descartáveis, vergonhosamente entrelaçados.

Se os referenciais estruturais e a produção trágica de “Django Livre” remetem apenas a uma proposital proposta de regaste e homenagem ao faroeste italiano sessentista, o resultado final resume-se em um descrédito na obra de uma dos mais aclamados diretores de sua geração. Tarantino erra mesmo esforçando-se em manter a sua inabalada e previsível fórmula, em seu recente faroeste pretensioso e descartável.

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About Ghilardi

Crítico ácido, um ruminante de peso. Definitivamente carne de terceira. Escritor. Músico. Fotógrafo ordinário.

One response to “O DECLÍNIO DE TARANTINO”

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