Archive | fevereiro 2013

COMEÇANDO BEM O DIA: PEROTA CHINGO

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Perota Chingo é um projeto do duo uruguaio composto pelas encantadoras Júlia Ortiz e Dolores Aguire, conhecidas como Maju e Dolo.

A proposta inicialmente era simples, Maju e Dolo desejavam conhecer toda a costa uruguaia acompanhadas apenas de voz e violão, registrando a experiência em vídeos timidamente divulgados na internet.

Graças ao seu extraordinário talento o projeto conquistou fãs, transformou-se em um eficiente quarteto musical e atualmente realiza turnê pela Argentina, Chile, Brasil e Uruguai.

ROLLING STONES POR TEGAN AND SARA

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Uma das obras primas clássicas dos Rolling Stones acaba de ressurgir em uma produção deliciosa graças aos cuidados de RAC, o músico/produtor responsável por 9 entre os 10 melhores remixes lançados nos últimos 12 meses.

“Fool To Cry” explode em fragmentos sônicos moleculares, em uma atmosfera lacônica e emocionada, resultado da graciosidade delicada dos vocais de Tegan and Sara.

A produção de RAC/Tegan and Sara está presente nos créditos do mais recente episódio de Girls, a série “hipster” (existem outras?) mais celebrada do presente momento.

É impossível não gostar. Impossível.

PARA COMEÇAR BEM O DIA

O delicioso projeto lusitano There Must be a Place – uma intimista reunião das bandas Best Youth e We Trust – divulgou essa semana dois novos vídeos para as canções “Nice Face” e “Tell Me Something”.

Sem dúvida uma das melhores formas de começar o dia.

A MELHOR TRILHA SONORA DE HOJE – MESS_TAPE 2013

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E para animar o seu espírito após um carnaval promissor e uma previsão de dilúvio bíblico na cidade de São Paulo, anuncio o retorno de MESS_TAPE, apresentando na primeira edição de 2013 uma deliciosa seleção de novas bandas, velhos conhecidos e hits absolutos.

Aos admiradores da boa música não existe forma melhor de aproveitar o dia. Eu garanto.

Aumente o volume, aperte o play e aproveite.

MESS_TAPE 033 – A Melhor Trilha Sonora de Hoje!

  • Deap Vally – Gonna Make My Own Money
  • Furguson – Casacuberta
  • Beach Beach – Plants
  • Aliment – Holy Slap
  • L’Hereu Escampa – Les Vaques
  • Explosions in the Sky – Your hand in Mine
  • Ghost Town – You Look So Bored
  • Rhye – Open
  • The Coathangers – Trailer Park Boneyard
  • Angus & Julia Stone – What You Wanted
  • Hey Ocean! – Too Soon
  • Passion Pit – Carried Away
  • Calvin Harris – Sweet Nothing ft. Florence Welch
  • Hotels – The Heart That Hears Like A Bat
  • The Joy Formidable – This Ladder Is Ours
  • Bleeding Rainbow – Waking Dream
  • The Submarines- You, Me & the Bourgeoisie
  • The Last Royals – Crystal Vases
  • Palma Violets – Best of Friends

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OS HITS DO CARNAVAL 2013

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Todo carnaval é igual. Uma música ou coreografia prolifera-se por todo o país como uma febre súbita e coletiva.

Enquanto o carnaval brasileiro era dominado pela multiplicação de blocos de rua e a complicada coreografia de “O Passinho do Volante”, o fenômeno responsável por mais de 7 milhões de visualizações no YouTube e seu vicioso refrão repetitivo com “AH LELEK LEK LEK LEK LEK”, uma obra poética do Mc Federado e os Leleques, nos Estados Unidos o “Harlem Shake” desponta como o provável substituto do “Gangnam Style”.

O vídeo original publicado pelo usuário DizastaMusic no dia 2 de fevereiro já ultrapassou a marca de quatro milhões de visualizações no YouTube, pouco se comparado o poder de proliferação do Mc Federado e os Leleques no Brasil, mas considerando que até o dia 11 foram divulgados mais de 12 mil versões do “Harlem Shake”, somando mais de 44 milhões de visualizações neste ridículo período de tempo, é provável que em breve você também esteja dançando ao ritmo da música de Baauer, o autor da música.

A canção lançada há mais de um ano alcançou uma popularidade tão inesperada que já é chamada de o novo “Gangnam Style”. Estima-se que por dia quatro mil novos vídeos com versões de “Harlem Shake” sejam publicados no YouTube.

A versão definitiva, que inspirou inúmeras reedições, é responsabilidade do usuário TheSunnyCoastSkate, graças aos elementos que caracterizam o viral “Harlem Shake”: o capacete, o corte brusco e a dança desajeitada.

E viva o carnaval!

Selecionamos abaixo 5 versões engraçadíssimas de “Harlem Shake”. Todos prontos para dançar?

GARAGE NOISE MINEIRO

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“Guitarras histéricas e batidas indelicadas explodem sobre as composições, com backing vocals femininos assemelhando-se a abelhas dentro das caixas de som”.

Provavelmente essa é a melhor definição para a sonoridade áspera e emergencial da banda mineira Top Surprise, um quarteto inspirado que retorna a cena com o lançamento do vídeo “Ready for the Haze”, um sinal de que a combustão harmônica iniciada em 2010 com o lançamento do EP Everything Must Go terá continuidade digna e memorável.

Acesse o perfil grupo no site bandcamp e faça o download gratuito de “Saturn (The Season)” e “I Shoot The Devil”.

O underground nacional retoma sua personalidade vívida em 2013, e este é apenas o começo.

O DEBUT SENSACIONAL DO TRIO THE REBEL LIGHT

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Influenciados por Grizzly Bear, Beatles e My Bloody Valentine, o grupo americano The Rebel Light é formado por uma dupla de irmãos de Montauk, New York, e um primo perdido ao longo de Yucaipa, na Califórnia.

Sediados atualmente em Los Angeles, o power-trio promove o lançamento do EP homônimo The Rebel Light, lançado no final de 2012 sem grande impacto, mas recentemente despontando entre a crítica especializada e o público universitário americano.

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Com uma sonoridade eletrônica-indie, o trio de L.A. impressiona com a deliciosa “Wake Up Your Mind”, a emergencial “My Heroes Are Dead” e a atmosférica “Goodbye Serenade”.

Para a nossa alegria o debut do grupo americano está disponível para download gratuito, em seu perfil no site bandcamp.

Uma potencial promessa sonora para 2013, sem dúvida.

LEITURA SUGESTIVA PARA 2013

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A Companhia de Bolso é um dos diversos selos do respeitável grupo editorial Companhia das Letras, cujo foco está voltado para o lançamento de obras no formato econômico, os deliciosos e práticos pocket books.

A reedição de sucessos em formato econômico não desmerece o prestígio estabelecido pela Companhia das Letras, e o seu reconhecido nível de excelência admirável, viabilizando o lançamento de diversas obras primas clássicas, contemporâneas e títulos que definitivamente merecem a sua atenção.

Entre os títulos recomendáveis e presentes na minha anual lista de leitura, encontra-se a obra de Philip Gourevitch, o sensacional e tenso “Gostaríamos de Informá-lo de que Amanhã Seremos Mortos com Nossas Famílias”.

Entre abril e julho de 1994 mais de um décimo da população de Ruanda foi exterminada, num genocídio comparável apenas ao Holocausto. Patrocinada pelo governo ruandês, a maioria hutu massacrou a minoria tutsi diante da indiferença da chamada “comunidade internacional”.

A tragédia, supostamente motivada pelo “ódio ancestral” entre as duas etnias, teve na verdade clara origem política e econômica. Durante três anos, o jornalista norte-americano Gourevitch mergulhou na história e na realidade ruandesa para tentar desvendar os acontecimentos. Ouviu centenas de pessoas, reconstituindo o drama dos envolvidos na tragédia, fossem eles sobreviventes, assassinos ou cúmplices.

Uma obra definitivamente cáustica, elaborada por meio de um testemunho honesto, uma reflexão assustadora sobre um dos mais terríveis massacres do nosso tempo, comprovando que ainda hoje a distância entre civilização e barbárie pode ser curta.

Leitura recomendada para 2013.

A CARA NOVA DO VELHO SAFADO

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Emiliano Ponzi ganhou a medalha de ouro da Sociedade de Ilustradores de Nova York por uma série de capas bem humoradas que produziu para as traduções italianas da obra de Bukowski.

O velho safado é sem dúvida a maçã podre do cesto brilhante do Sonho Americano. Sua obra marginal é marcada pelos excessos de bebida, frustrações e sexo despido de pudor e castidade. Se por acaso você ainda desconhece a obra magnífica e bem humorada de Bukowski, trate de corrigir este erro imediatamente, afinal, Bukowski é um gênio!

Um brinde ao verdadeiro anti-herói literário americano.

UMA NOITE COM FATHER JOHN MISTY & THE WALKMEN

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Segunda-feira foi indigesta com o pequeno grupo de fãs que se aglomeravam em frente ao Commodore Ballroom, em Vancouver. O inverno no Canadá é frio e cruel, principalmente para quem atreve-se a esperar sob uma intensa chuva pela abertura da simpática casa de shows canadense.

A programação, considerando tratar-se de uma segunda-feira solitária, era promissora e irrecusável. Uma aguardada apresentação intimista do grupo americano The Walkmen, cujo último trabalho Heaven fora um dos grandes álbuns lançados no ano passado, e a abertura responsável sob os cuidados de Father John Misty, uma das melhores surpresas de 2012.

O Commodore Ballroom é um pequeno clássico intimista e acolhedor, localizado nos limites da deliciosa downtown em Vancouver. Seu pequeno palco já fora frequentado por grandes e desconhecidos astros, tornando-se parte de um roteiro obrigatório para os viciados em boa música.

Após a abertura pontual da casa de shows, nenhum fã eufórico aventurou-se a desesperadamente disputar um lugar em frente do palco, preferindo dividir a atenção entre uma das poucas mesas dispostas nas laterais ou conferindo o preço arrogante das bebidas, cobrado em seu minúsculo, porém funcional, bar.

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Entre os fãs presentes as opiniões se dividiam entre a expectativa de uma performance arrasadora do Walkmen ou uma provocativa e hipnótica celebração hippie-country do aguardado Father John Misty.  Eu sinceramente estava impressionado pela beleza contida em canções como “Hollywood Forever Cemetery Sings” e “Nancy From Now On” do Father John Misty, mas nada era capaz de superar a ansiedade pela espera do The Walkmen e o desejo de ouvir “The Love You Love”, “Line By Line” ou “We Can’t Be Beat”.

Após uma hora de ansiosa espera, as luzes do Commodore Ballroom finalmente se apagaram para o início de uma noite mágica e intensa. Father John Misty é hipnótico. Suas harmonias são orquestradas como uma pregação fervorosa em um dança desinibida e provocativa. Os desavisados são tomados pela sua arrogância destrutiva, decorando seus versos inconscientemente frente ao delírio coletivo.

Eu estava lá, atônito frente ao seu poder de comunicação extra-sensorial, observando seus atrapalhados passos ameaçarem sua inseparável garrafa de bourbon . “Funtimes in Babylon”, “Nancy From Now On” e “I’m Writing a Novel” já haviam conquistado Vancouver, mas ao apresentar a inédita “I Love You, Honeybear”, Father John Misty perpetuava sua declaração de amor a cidade canadense. O Walkmen teria que se esforçar muito, pensei.

E com a exuberante performance bombástica de  “Hollywood Forever Cemetery Sings”, executada sob um intenso ataque de luzes alucinantes e incessantes, a performance do promissor Father John Misty declarava o seu fim. O publico explodiu em um delírio coletivo, exigindo um retorno que não aconteceria para a infelicidade de todos os presentes.

Antes mesmo do retorno das luzes disponíveis, a equipe técnica tomou o palco visivelmente preocupada com a liberação do espaço para a apresentação do The Walkmen. O publico novamente acumulava-se em frente ao pequeno bar, preocupados com a renovação de seus vícios antes da aguardada atração da noite.

O Father John Misty utiliza um incalculável número de instrumentos em sua apresentação, ao ponto de alguns músicos retornarem ao palco para auxiliar na liberação do espaço. Simpáticos, responderam questões inexpressivas dos poucos fãs que permaneceram imóveis em frente a sua tímida retirada emergencial.

Diferente do anárquico palco do hipnótico Father John Misty, o Walkmen opta por uma configuração básica, ampliando consideravelmente o espaço disponível para a movimentação da banda.

Quando as luzes novamente se apagaram, o vocalista Hamilton Leithauser caminhou serenamente até o microfone principal, aguardando os primeiros acordes de “On the Water” enquanto saciava sua sede com uma taça de vinho tinto em mãos.

A sequência foi arrasadora, apostando no poder emocional e harmônico da intimista “In the New Year” e a explosiva “The Rat”. Em segundos era perceptível a diferença surreal entre o novato e promissor Father John Misty e o espetacular e veterano The Walkmen.

Leithauser promovia um delírio elétrico ao explodir em versos sobre o amor, a família e as expectativas de uma vida repleta de obstáculos. Para o meu prazer “The Love You Love” e “Line by Line” foram executadas em uma sequência orquestrada, explodindo em emoções que não me atrevo a descrever ao ouvir “Blue as Your Blood” e “Angela Surf City”.

Aos antigos fãs a banda foi generosa, executando versões delicadas de “Juveniles” e “138th Street”, antes do apoteótico fim com “We Can’t Be Beat” e “Heaven”.

Ao deixarem o palco sob uma incessante histeria coletiva, aplausos e pedidos de casamento, a banda sequer teve chance de esfriar as mãos, frente à assustadora suplica desempenhada pelos seus fãs incondicionais. Entre o público era possível aventurar-se e encontrar todos os músicos do Father John Misty inquietos, impressionados com o poder de sedução de Leithauser e seus demais companheiros.

Ao retornarem ao palco o The Walkmen agradeceu a presença de todos os presentes, considerando tratar-se de uma segunda-feira fria e pouco convidativa. Os fãs suspiravam admirados, até os primeiros acordes de “Heartbreaker” distorcer o silêncio e incendiar novamente o insaciável público do Commodore Ballroom. Aos que acreditavam tratar-se do fim, uma imprevisível e agradável surpresa. Leithauser grato e sugestivamente embriagado, anunciava que a banda executaria “We’ve Been Had” para perpetuar a noite, a primeira música produzida por eles como uma banda.

E após os versos finais de uma das suas mais belas canções, Leithauser deixou o palco para caminhar entre o público e cumprimentar os presentes, até gradualmente desaparecer em meio a multidão contemplativa, admirada e satisfeita. Uma noite espetacular.