Archive | abril 2014

CRÍTICA: LOLLA 2014 BIPOLAR

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A nova e aguardada edição do festival itinerante Lollapalooza finalmente aconteceu em São Paulo, sob um céu azul vívido e uma sensação térmica muito acima dos 40 graus celsius. Depois de uma exagerada ansiedade contida e desconstruída, destacamos os erros e acertos do que vivenciamos nos dois dias do festival.

O autódromo de Interlagos não é exatamente o melhor lugar para a realização de um festival deste porte, pois a localização não é facilmente acessível de carro, as vagas disponíveis não são suficientes para atender sequer metade dos ingressos vendidos, as linhas de ônibus são insuficientes e limitadas e o acesso via trem/metrô exige diferentes baldeações, além de encontrar-se consideravelmente distante da entrada mais próxima – para quem se arriscar a caminhar pelas ruas do inseguro distrito de Cidade Dutra.

Logo na entrada era perceptível o descuido estrutural na determinação das vias de acesso aos espectadores, além de escassos, os acessos tornavam-se mais estreitos para a quantidade de público presente, resultando em um grosseiro funil humano em momentos de maior concentração de público, seja durante a entrada ou na saída do festival. Outro ponto não observado é a quantidade de saídas disponíveis para o festival, se de fato havia apenas uma única saída (até o momento essa é a nossa percepção), a organização deveria comemorar a não ocorrência de uma enorme tragédia no local, devido a intensa movimentação de pessoas durante os dois dias do festival.

Outros erros grosseiros estruturais foram observados na distribuição de serviços ao longo de todo o espaço disponível. Caixas próximos aos bares, banheiros e postos médicos lado a lado, resultavam apenas em um acumulo de espectadores em fila, uma concentração que muitas vezes dificultava o acesso a serviços essenciais, como os banheiros e o próprio posto médico. Essa concentração de pessoas também dificultava a movimentação do público ao redor, e desnecessariamente resultava em um efeito progressivo de inviabilização de todos os presentes no festival.

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O número de lixeiras disponíveis era insuficiente, e não prezavam pelo descarte seletivo, um dos muitos ideais ostentados pelo festival.

A distância entre os palcos era grosseira, e o acesso era penalizado por estreitamentos e divisórias que se complicavam devido à presença de serviços essenciais ao longo do caminho, como caixas, bares e banheiros, resultando em um estorvo descomunal durante o término de cada apresentação. No sábado era generalizado o descontentamento com a inviabilidade de acesso devido à quantidade de público presente, muitos espectadores reclamaram que não puderam assistir a alguns shows devido à falta de mobilidade.

Se o capitalismo é a bíblia e a lucratividade é a cruz, talvez a voz (percepção) de Deus seja de fato a voz do povo. Devido à falta de controle e a divulgação de dados oficiais, resta à percepção comum a impressão de que durante o sábado a quantidade de público presente estava acima do limite determinado (entre 70 a 80 mil pessoas). Se comprovado o abuso, resta aos defensores públicos de plantão o estudo de uma ação de reparação aos danos causados, uma vez que devido ao excesso de espectadores todos os serviços disponíveis tornaram-se insuficientes e insatisfatórios, além da impossibilidade de acesso as atrações devido à falta de mobilidade no festival. Uma vergonha.

Além de insuficientes a disponibilidade de espaços reservados para o descanso encontrava praticamente isolado do público. Interlagos não dispõe de muitos espaços sombreados, e o calor incessante torna a disponibilidade desse conforto em item essencial para o bem estar do público presente, quem se atreveu a isolar-se, ao menos encontrou conforto.

Um dos muitos atrativos do Lollapalooza são os diferentes serviços e atrações que o festival e seus principais patrocinadores oferecem ao público. Essas atrações resultam em atividades diferenciadas e brindes memoráveis, que conquistam o público sem restrição. O problema consiste na disponibilidade de informação quanto aos diferentes atrativos: praticamente nula. Para os exploradores e curiosos destemidos, restou o trabalho de percorrer e questionar os diferentes pontos de merchandising distribuídos em todo autódromo de Interlagos. Sem qualquer mapeamento das atividades e brindes disponíveis, muitos expectadores voltaram para casa de mãos vazias, uma decepção frente às expectativas do planejamento de marketing de muitos patrocinadores.

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O espaço gourmet e as vans de comida dispostas no festival foram sensacionais. O preço fez justiça ao destaque da participação de diferentes chefs e a oferta de pratos elaborados surpreendeu. A micro feira gastronômica atraiu um público maior que alguns shows isolados, durante os dois dias do festival, e a qualidade dos alimentos ofertados estava impecável, pecando muitas vezes pela quantidade oferecida frente à gula dos presentes.

Por conta da distribuição das atrações em três diferentes palcos, a programação do festival mereceu ser minuciosamente estudada, considerando as atrações de interesse e descartando (infelizmente) todas as outras performances programadas para o mesmo horário. Dessa forma, a nossa programação inicial resultou na seguinte definição:

Sábado – Dia 5 de abril

Red Oblivion (12h45 – 13h30)
Capital Cities (14h – 15h)
Cage The Elephant (15h05 – 16h05)
Imagine Dragons (17h15 – 18h30)
Lorde (18h30 – 19h30)
Nine Inch Nails (19h55 – 21h25)
Muse (21h30 – 23h)

Domingo – Dia 6 de abril

Illya Kuryaki & Valderramas (12h40 – 13h25)
Raimundos (13h30 – 14h15)
Johnny Marr (14h20 – 15h20)
Vampire Weekend (16h30 – 17h30)
Pixies (17h35 – 18h50)
Soundgarden (18h55 – 20h25)
New Order (20h30 – 22h)

Graças a nossa desorganização, ao transito excessivo, a complexidade e lentidão na entrada comprometida graças ao estúpido afunilamento estrutural e o expressivo excesso de público, pouco desfrutamos das atrações apresentadas durante o primeiro dia do festival, restando conforma-se com a performance de um distante, irritante e parcial solo (Julian Casablancas), uma inexpressiva performance mascarada (Portugal the Man), uma surpreendente revelação (Lorde) e um exagerado e comprometido encerramento (Muse).

No domingo, com excessão de Illya Kuryaki & Valderramas, foi possível acompanhar todas as atrações programadas, sem qualquer contratempo exagerado.

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Apesar de presentes, foram consideravelmente pequenos e inexpressivos os erros técnicos observados. Todas as bandas se apresentaram no horário programado e o sistema de som e imagem funcionou bem, considerando apenas a área reservada a cada palco, sem ignorar que apenas as grandes atrações possuíam acesso ilimitado a todos os recursos gráficos disponíveis no palco, além de uma melhor equalização do som.

A bipolaridade do Lollapalooza 2014 está presente na estupidez primária da distribuição de estruturas e acessibilidade, em um festival bem organizado gastronomicamente, com ótima disposição audiovisual, além de celebrar uma pontualidade inglesa na apresentação de suas atrações. A programação é lamentável pelo embate de horários e apresentações, mas isso é extremamente comum em qualquer outro festival do mesmo porte.

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RETRO 2013: O 3X4 DE TERRY RICHARDSON

Terry Richardson é um famoso fotógrafo de moda norte americano, celebrado pelo showbizz mundial graças a sua visão única e simplista, registrada em retratos descontraídos e visualmente autênticos. Suas lentes já registraram presidentes, estrelas da música, do cinema e personalidades da TV, além de uma infinidade de figuras icônicas captadas durante suas viagens ao redor do mundo.

Em 2013 Richardson registrou uma endiabrada Miley Cyrus, em um ensaio fotográfico provocativo, cuja repercussão mundial excedeu qualquer previsão de projeção otimista para o seu trabalho autoral, muito provavelmente pelo fato de se tratar de uma celebridade juvenil explorando radicalmente a sua ruptura imagem em um impactante reposicionamento de mercado.

Mas justiça seja feita, apesar de surpreendente e provocativo o ensaio de Cyrus não é merecedor do esplendor do trabalho de Richardson, que pode ser observado com atenção no ensaio hipnotizante da modelo Alyssa Arce, esse sem dúvida alguma, é digno de um dos muitos destaques de 2013. Aos amantes de fotografia, uma dose do melhor de Richardson e Alyssa Arce, sem qualquer cobrança adicional.

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