Archive | outubro 2014

PARA COMEÇAR BEM: WEEZER

WEEZER-2014

O Weezer é simpático.

Uma ótima, animada e inofensiva opção para começar bem o dia, e talvez uma das principais atrações da próxima edição do festival Lollapalooza, mas ainda é cedo demais para especulações, veremos.

Selecionamos cinco grandes singles do grupo, simples assim.

E como bônus, essa versão incrível do Cuomo para “Brain Stew” do Green Day.

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CRÔNICA: A VISTA DA JANELA DO QUARTO

NGC 3372

Eu observo as horas se perderem entre os móveis da sala. Em algum lugar você está indecisa. Será que realmente existe um caminho mais fácil para se aproximar? O frio procura te convencer o contrário, continue em casa, aprecie os prazeres sob a proteção do seu universo seguro, mas você encontra as chaves do carro, confere os pequenos mas importantes detalhes no espelho pela milésima vez, e deixa tudo para trás, sem se despedir.

Estou em casa, enfurecido pelo contínuo fluxo de ar graças as janelas entreabertas. O inverno me faz companhia e eu não tenho certeza se você vai estar aqui para me aquecer. Desvio dos copos, desvio dos cigarros, desvio das promessas, desvio da espera e me entrego à cama sem posicionar as cortinas, eu gosto da vista, eu gosto da intensa mistura de cores, luzes, vida.

O interfone toca, mas você se perdeu nos corredores do prédio mais uma vez. Sequer tem a clara lembrança sobre onde estacionou o carro. Você tropeça ao entrar, você reclama do frio, você me beija como se o fim estivesse próximo, você mergulha intensamente no beijo e me convida, e as horas se perdem entre os móveis da sala.

Você ri alto, você me faz de cama, você me abraça até onde não consegue alcançar. Você me observa com um brilho absurdo no olhar, e eu fico em silêncio, sem exatamente saber se devo me preocupar.

E o mundo sabe que existe um abismo entre nós. Um universo, um novo idioma. Uma constante incoerência na história, onde os seus carros se acumulam em uma garagem ampla, enquanto eu continuo indeciso sobre qual bicicleta comprar. Você já conquistou dois terços do universo, enquanto eu sequer descobri o que me reserva nas ruas do meu bairro. Mas quem está preocupado com isso, quando no fim, o abrigo que você deseja está nos meus braços?

Você se encontra, escolhe o seu lado favorito da cama, me abraça forte, pensa em milhões de palavras mas não diz nada. Me beija e adormece em segundos. Eu sinto a sua respiração em um novo ritmo, eu me aproximo para sussurrar que talvez eu esteja me apaixonando, e nada está conforme os meus planos, mas tudo bem, as cortinas continuam abertas e a vista da janela do quarto é ótima ao seu lado.

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FECHE OS OLHOS E AUMENTE O VOLUME

NYC

Quer ouvir algo diferente, mas extremamente delicioso?

Durante processo de resgate de todas as MESS_TAPES já divulgadas até o momento (até que as novas edições estejam prontas), eu destaco a edição 21 da nossa seleção de clássicos, a sensacional – R3lax Moth3rfuck3R!

Um mergulho no trip hop, dub, deep house e demais experimentações que com muita classe se destacam entre improvisos dignos do jazz e psicodelia pura.

É claro que é legal, é óbvio que vale a sua próxima hora, e por favor, somos curiosos quanto a sua avaliação, sempre!

Encontre um lugar confortável, feche os olhos e aumente o volume.

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FRANZ SIMPÁTICO FERDINAND SHOW

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Terça-feira exageradamente quente para a apresentação de um grupo escocês em São Paulo, e complicada, principalmente para quem gostaria de aproveitar o máximo que a noite tem a oferecer sem se preocupar com as obrigações no dia seguinte, mas nem por isso havia qualquer disposição para desistir, pelo contrário, a “aventura” estava apenas começando.

Eu não me recordo de qualquer outro show internacional no Espaço das Américas, mas tenho boas lembranças da selvageria de festas universitárias anárquicas no local, vestidos coloridos, gravatas desnecessárias e uma tensão sexual sem limites no ar. Pense, se o local é capaz de abrigar uma legião de formandos irrecuperáveis, uma apresentação de rock é incapaz de acelerar a pulsação cardíaca dos responsáveis pela organização do evento. Fato.

Não havia pressa, e sinto ser sincero, mas não havia amor. O Franz Ferdinand é uma banda simpática, mas depois de algumas cervejas entre amigos, concluímos que não é uma banda capaz de causar furor. Eles, sem dúvida nenhuma, possuem singles dançantes, mas ainda não possuem uma música capaz de hipnotizar uma multidão. No palco são incrivelmente competentes, bem vestidos e ensaiados, assim como qualquer outra banda católica, praticante, exemplar, crente.

Como em qualquer outro evento o valor cobrado pelas bebidas não me surpreendeu, uma absurdo, mas não tanto quanto ao vazio entre o público presente, já previamente dividido pelo apartheid financeiro promovido pela irritante pista vip, premium, gourmet, escolha o termo que desejar, mas não se deixe enganar, é a mesma armadilha.

Felizmente eu tive a oportunidade de acompanhar o show por diversos ângulos, desde o telão sem som na entrada principal, junto com a equipe de seguranças, entre os diferenciados fãs e curiosos na pista principal e os elitistas e fanáticos na pista premium, observando sempre sem entender ao grupo acomodado no distante camarote vip, que ao meu ver não oferece tanto conforto quanto prometido. E em qualquer lugar havia boa percepção do show e vista disponível para o palco, sem considerar os telões auxiliares.

Em algum momento da apresentação nós decidimos procurar abrigo na área destinada aos fumantes, é ótimo a disponibilidade deste local em uma casa de shows, e para a nossa surpresa havia uma quantidade considerável de pessoas como nós, despreocupadas quanto a apresentação. Em algum momento alguém exaltado e correndo grita: – Quem aqui está agora, não gastou um centavo com o ingresso. Eu ri.

Voltamos a fim de conferir a etapa final do show, dancei, cantei e me apaixonei algumas vezes, o público do Franz Ferdinand reserva uma inegável quantidade de beldades inexplicavelmente sozinhas, talvez os pares não sejam fãs de rock escocês, talvez realmente o amor está em falta em São Paulo, quem sabe?

“This Fire” encerrou a apresentação em uma variação de improvisos a fim de torná-la épica, um desperdício com a melhor música do repertório do grupo. Mais da metade dos presentes, menos da metade da capacidade da casa, não era capaz de nomear uma música além de “Take Me Out”, os fãs, sempre os fãs, serão eternamente gratos pelo grupo que visita o país pela sétima vez, enquanto eu voltei para casa localizada a poucos quarteirões do local de show, desejando vida longa ao Espaço das Américas, uma vez que o acesso ao local é ridiculamente fácil.

Quanto ao Franz Ferdinand apenas uma sincera observação, banda simpática, mas sem furor suficiente para me convencer a comprar o ingresso.

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